Bastidores da Política - 'Tio tem muito dinheiro, pode comprar juiz e promotor', diz funcionário do supermercado Vitória a pistoleiro


'Tio tem muito dinheiro, pode comprar juiz e promotor', diz funcionário do supermercado Vitória a pistoleiro

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

25/11/2021 21h33 — em Bastidores da Política

Como num filme policial, onde os criminosos tentam limpar as pistas que deixaram, Reginaldo, um funcionário do Supermercado Vitória que intermediou a contratação do homem que executaria o sargento Lucas  Gançalves no dia 1 de setembro,  voltou a procurar Sllas Ferreira, 24 horas depois do crime, com uma advertência: "A coisa vai feder, mas segura a onda. "O tio '- uma referência a Joabson - tem bons advogados. O tio tem muito dinheiro, suficiente para comprar juiz e promotor. Então não te preocupas”.

O casal Joabson Gomes  e Jordana Azevedo Freire deverão ter mais um pedido de prisão decretado nas próximas horas. É que não há mais dúvidas de que planejaram e colocaram em prática o plano para matar o sargento Lucas Gonçalves, crime ocorrido em 1 de setembro. No depoimento que prestou à policia em 22 novembro, o pistoleiro  Silas Ferreira  da Silva contou que foi procurado por um funcionário do Supermercado Vitória, de nome Reginaldo, que primeiro lhe ofereceu R$ 10 mil pelo serviço, depois elevou o valor para R$ 25 mil. Diante da relutância de Silas, ofereceu R$ 65 mil.

Silas contou que não tinha como rejeitar a oferta. Reginaldo lhe entregou um celular, com a orientação de mudar e destruir o chip a cada dois dias, uma moto,  uma arma calibre 380, bonés e até sapatos, uniforme para um crime premeditado, que escondia ciúmes, traição  e um desejo incontrolável de matar. Silas seria apenas instrumento da obsessão de um homem que fora traído e queria vingança a qualquer custo.

Reginaldo apresentou ao criminoso a foto do que ele chamou de “presunto”

‘Foi o tio que falou para vir aqui contigo e te entregar o material para fazer o serviço”.  Tio, segundo   Silas, era como Reginaldo se referia ao Joabson, dono do supermercado Vitória.

Silas contou que após o crime foi para casa e horas depois Reginaldo apareceu com um carro baú para recolher roupas, armas e moto. Estava de posse de R$ 60 mil, o que o levou a dizer que o serviço fora contratado por R$ 65. Foi então que Reginaldo ligou para Joabson, que  teria autorizado o pagamento conforme  combinado.

Com num filme policial, onde os criminosos tentam limpar as pistas que deixaram, Reginaldo voltou a procurar Sllas dois dias depois, com uma advertência: "A coisa vai feder, mas segura a onda. O Tio - uma referência Joabson - tem bons advogados. “O tio tem muito dinheiro, suficiente para comprar juiz e promotor. Então não te preocupa”.

A coluna procurou os advogados de Silas que afirmaram desconhecer o depoimento. "Se existe, é ilegal e será contestado na justiça. O depoimento não poderia ser feito sem a presença de seus defensores."

Disseram estranhar que ainda nesta quinta-feira Silas tenha  passado mal e  foi necessário levá-lo a um Serviço de Pronto Atendimento. Reclamaram da barreira imposta pelos policiais para terem acesso ao cliente e pretendem levar esse fato ao juiz.

É um direito deles, mas se há excessos há também indícios aparentemente irrefutáveis do envolvimento de Joabson e Jordana no crime. A prisão de  Reginaldo, que intermediou o assassinato, pode ser o ponto de desfecho desse triste episódio.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.