A terrível ideia de colocar no STF um evangélico ou um amigo de Bolsonaro

Por Raimundo Holanda

01/10/2020 21h16 — em Bastidores da Política

  • A defesa da indicação de um ministro terrivelmente de direta ou terrivelmente evangélico para o STF é sinal de um tempo de escuridão. O essencial era discutir o saber jurídico do indicado e não eventual subserviência ao presidente de plantão, seu envolvimento com igrejas, ou suas convicções politicas. Na cadeira que vai se abrir, com a aposentadoria do ministro Celso de Melo, não cabe um porta-voz do presidente, ou alguém que se curve a interesses religiosos.

O Brasil não pode ter um STF servindo a governo ou a ideologias. Quer um Supremo escravo da lei, defensor das liberdades, inclusive de escolhas dos cidadãos. Portanto, a defesa da indicação de um ministro terrivelmente de direta ou terrivelmente evangélico são sinais de um tempo de escuridão 

O essencial era discutir o saber jurídico do indicado e não eventual subserviência ao presidente de plantão, seu envolvimento com igrejas, ou suas convicções  politicas. 

O STF é (ou era) o guardião da Constituição. ( Alguém já esqueceu desse dever fundamental da Corte Suprema do País?). 

Na cadeira que vai se abrir, com a aposentadoria do ministro Celso de Melo, não cabe um porta-voz do presidente, ou alguém que se curve a interesses religiosos .  

O papel de um Ministro do STF é outro. Se algum dia um  dos 11 for visto "tomando cerveja com o presidente" é porque o STF apodreceu e se há uma maçã podre que contamina outras 10,  deve ser afastada por desonra ao País.

Bolsonaro quer fazer do STF um puxadinho do Planalto e os primeiros passos ele está dando de forma desassombrada e sem nenhum pudor, sem que a sociedade reaja, sem que  os políticos reajam, sem que a  imprensa denuncie a montagem de um mecanismo de poder onde a vontade do presidente estará acima da LeI, esta instrumentalizada  para  beneficiar  apenas seus  amigos. Assim, ele  usará  sua  "legitimidade"  e seu peso para esmagar os que o criticam, o aborrecem e por isso tornaram-se, na visão dele, seus inimigos e inimigos do País.

Discordar do presidente ainda não é  crime, mas ele busca criminalizar o debate, a liberdade de pensamento e expressão.   

Para isso vem instrumentalizando os órgãos de controle. 

Ou não foi sintomático o fato de a subprocuradora-geral da República,  Lindôra Araújo, pedir que o Supremo Tribunal Federal rejeitasse uma denúncia oferecida por ela mesma contra o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), acusado de receber propina de R$ 1,6 milhão  da Queiroz Galvão, como apontou ao Supremo investigação da Lava Jato? Quem é esse parlamentar senão aliado do presidente e um dos líderes do Centrão, principal  núcleo político de apoio ao  seu governo. Quer dizer, a PGR está a serviço de quem ?