Bastidores da Política - Sobre o vídeo com a delegada Emilia Ferraz que bombou nas redes


Sobre o vídeo com a delegada Emilia Ferraz que bombou nas redes

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

28/09/2021 20h14 — em Bastidores da Política

O vídeo no qual a Delegada Geral do Amazonas, Emilia Ferraz, faz um pequeno ensaio fotográfico “bombou” nas redes sociais e foi o assunto mais comentado ontem em aplicativos de celular, onde desembocou entre elogios e críticas, ingredientes  que fazem  especialmente do WhatsApp um salão de festas, de conhecimento, de interações entre pessoas, mas também  uma grande lixeira, onde o chorume se espalha contaminando mentes e borrando biografias.

Para além da rede de ódio  e suas variantes confinadas no aplicativo, é preciso olhar  o ambiente de uma delegacia e um fato histórico:  desde que Henrique João Cordeiro assumiu  a função de chefe de Polícia em 1832, quando o Amazonas era ainda uma simples comarca da Província do Pará, é a primeira vez que uma mulher assume como delegada geral.

Emilia faz história. E o fato de mostrar que tem autoestima, se relaciona bem com as pessoas é positivo. Humaniza um espaço até então dominado pelos homens e serve de exemplo para muitas jovens que desejam seguir carreira na policia.

"Ah, mas ela utilizou o próprio gabinete, um espaço público para fazer o ensaio”, foi o que mais ouvi ontem, em contraposição a ponto de vista diferente.  E a resposta foi:  Ah, mas o exemplo é bom, porque esse espaço público é do cidadão e deve  ser compartilhado  fora dos conflitos que, quando ocorrem e ocorrem rotineiramente,  podem ser dirimidos de forma humana e civilizada.

Ademais, é preciso que nos adeptemos  aos novos tempos. A linguagem corporal que a delegada utiliza no vídeo é persuasiva, cativante. É  a linguagem que os jovens gostam e os adultos compreendem. Ter uma delegada no comando da Polícia Civil, conversando com as pessoas e fazendo um trabalho social que poucos conhecem é um grande avanço.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.