Bastidores da Política - Senadores do Amazonas terão que explicar porque silenciaram sobre pesquisa com proxalutamida


Senadores do Amazonas terão que explicar porque silenciaram sobre pesquisa com proxalutamida

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

14/10/2021 21h36 — em Bastidores da Política

A CPI da Covid está a caminho do encerramento. O relatório será, naturalmente,  político e o alvo o presidente Jair Bolsonaro e a Prevent. As omissões são muitas. O relatório não deve citar a  experiência  malfadada  com a proxalutamida, realizada  em Manaus,  e que  a Unesco considerou  “um dos mais graves e sérios episódios de infração ética e violação de direitos humanos de pacientes na história da América Latina”.  

Com três senadores, dois  dos quais como membros efetivos da comissão, o Amazonas parece não ter vivido a maior tragédia sanitária de sua história.  Fora alguns instantes de emoção,  em que o drama local das mortes por falta de oxigênio foi comentado, a pesquisa com pacientes com droga experimental e que resultou em fracasso  e mortes, foi ignorada. Como se os senadores  amazonenses vivessem  em um mundo paralelo, restrito a Bolsonaro e a Prevent.

Mais grave do que o Kit Covid com Ivermectina e Azitromicina, foi o uso da proxalutamida,   que o infectologista Dirceu Greco, presidente da Sociedade Brasileira de Bioética,  apontou como escandaloso. 

A  nível local - e a CPI tem na sua presidência o senador Omar Aziz - o desinteresse da Comissão em apurar  erros e desvios éticos foi no mínimo estranho. 

A Assembleia Legislativa do Amazonas poderia ter instalado uma CPI específica para este problema, mas também não o fez. Poderá ainda fazê-lo, pois o tempo é agora. Mas os deputados, ao que parece, querem distância de um problema que ainda não perceberam que é deles, pois representam eleitores que sofreram, perderam parentes ou ficaram  sequelados. 

O fato é que  houve conflitos de interesse durante a pesquisa, propaganda de cura que não se concretizou,  silêncio das autoridades em torno de um problema de  saúde pública gravíssimo.

Ninguém sairá impune desse episódio - nem os que patrocinaram a pesquisa, já denunciados aos organismos internacionais, nem os que se omitiram de investigar. Com a palavra, os eleitores...

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.