Bastidores da Política - Relatório da CPI da Covid  desagrada e envergonha amazonenses


Relatório da CPI da Covid desagrada e envergonha amazonenses

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

20/10/2021 17h54 — em Bastidores da Política

O relatório da CPI da Covid fez apenas 107 citações esparsas nas suas 1778 páginas lidas em plenário ao problema de Manaus. Um de seus fundamentos era, entre outros, investigar  ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia na cidade. Predominaram interesses eleitoreiros, pessoais,  de amizade em um relatório confuso, que se satisfez antibolsonaristas, irritou especialmente os amazonenses, alvos de uma pandemia que causou mais de 14 mil mortes. Ficaram de fora empresários do setor de saúde  no Estado, que lucraram com a Covid, venderam ilusões e, tomados pela cobiça  e pela busca do lucro, ousaram ir além das fronteiras do país.

Da cápsula Vanessa, que  com ventilação não invasiva seria "o melhor tratamento para a covid 19, “porque evita a UTI, evita o respirador”, segundo revelou na época o principal grupo local interessado nas cápsulas.

A CPI nem investigou, nem analisou opiniões divergentes de especialistas para os quais "a cápsula  Vanessa poderia levar os médicos a atrasar a intubação dos pacientes em estado critico”. Mas ninguém ligou. A CPI não ligou. Os três senadores do Amazonas estavam desinformados ou  foram, no mínimo, omissos.

Mais: apenas em três linhas do relatório de  1778 páginas é citada a pesquisa criminosa, segundo a Unesco, com a droga proxalutamida. Uma vergonha, senadores…

O senador Eduardo Braga foi o menos acanhado. Disse que “não há nenhuma dúvida  de que houve uma série de crimes e de criminosos que precisam ser punidos; que o Amazonas foi transformado em um verdadeiro campo de testes com experimentos com remédios ineficazes". Mas omitiu o nome do plano de saúde que fez essa experiência, inclusive a exportando para o Paraguai sem o conhecimento do governo brasileiro.

A prova do delito está em vídeo na Internet.  Não viu quem não quis, ignorou quem tem o rabo preso.

Mais uma vez o nome do grupo empresarial foi omitido. Nenhuma indicação de punição. No Amazonas, a amizade conta, os interesses contam, omissões que que promovem injustiça, revolta e impunidade.

Omar Aziz mirou Bolsonaro e as empresas com alguma ligação com o  presidente. Fechou os olhos para experiências tão  escandalosas quanto ao kit covid ou o retardamento na compra de vacinas.  Eduardo Braga mirou Wilson Lima. Tudo politica.

Sairam ilesos os que utilizaram a  Covid como  meio  de obter lucro e patrocinaram ou participaram de pesquisas que resultaram em mortes no Amazonas.

Isso vai doer na alma dos senadores porque é a dor que milhares de amazonenses estão sentindo agora. E pagarão um preço: 2022 vem ai .…

 

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.