Bastidores da Política - Quanto vale a vida de um amazonense para o governador Wilson Lima?


Quanto vale a vida de um amazonense para o governador Wilson Lima?

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

20/03/2021 18h55 — em Bastidores da Política

  • É sabido que qualquer restrição ao funcionamento do comércio para estancar a pandemia de Covid 19 produz reações e muita pressão de grupos de interesse. Mas decisões políticas para reduzir impopularidade que deriva de outros atos nada republicanos, sem considerar seus riscos, são lesivas ao interesse público.

O governo do Amazonas resolveu escancarar a abertura do comércio, escolas e de atividades não essenciais. Está evidenciado que as medidas de restrição a circulação de pessoas, aliadas a vacina, são responsáveis pela queda de mortes por Covid em Manaus e nos demais municípios do Amazonas. Mas é preciso alertar que o número de infectados só tem crescido. Se diminuiu a pressão sobre a rede hospitalar, o risco de um novo desequilíbrio, com o crescimento de casos graves  é iminente. Mas o governador Wilson Lima, sem ouvir infectologistas, toma uma decisão de caráter politico.

O atual decreto não flexibiliza nada. Abre uma Caixa de Pandora com todas as consequência daí derivadas: muito provavelmente mais contágio, mais pacientes internados em estado grave, com impacto na oferta de leitos e mortes.

O isolamento social, como meio de combate a pandemia, com restrições ao funcionamento de atividades não essenciais, não é simpático. Mas decisões políticas para reduzir impopularidade que deriva de outros atos nada republicanos são lesivas ao interesse público.

Para o governador Wilson Lima, o bônus da improvável permanência do estado de estabilidade da pandemia devido as  circunstâncias ligadas às medidas enumeradas acima.  E o ônus por  uma inevitável terceira onda da Covid 19, com mortes de amazonenses, cujas vidas, ao que parece, não vale muito para o governador.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.