Bastidores da Política - A polêmica entrevista do prefeito de Manaus à Rádio Gaúcha


A polêmica entrevista do prefeito de Manaus à Rádio Gaúcha

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

26/03/2021 19h17 — em Bastidores da Política

O prefeito David Almeida atribuiu a queda de casos de Covid 19 em Manaus ao distanciamento social e a vacina. Está correto. Mas cometeu um deslize ao dizer que as medidas de restrição de circulação de pessoas foram iniciativas da prefeitura de Manaus. Se apropriou de uma decisão tomada pelo governador Wilson  Lima, de forma unilateral, sem ouvi-lo.

E, ao contrário do que disse David, em entrevista nesta sexta-feira a uma rádio de Porto Alegre, Manaus não fez o dever de casa. Se serviu  de exemplo ou “referência” a outras capitais, foi mais em razão dos  erros cometidos do que pelos acertos.

Tudo o que não deveria ter sido feito acabou avalizado por David - como permitir que pessoas não habilitadas ou fora de grupos de risco furassem a fila da vacina, ou a aplicação do imunizante fosse suspensa diversas vezes em razão de suspeitas de irregularidades.

Claro, tudo isso é exemplo. Mau exemplo que nenhuma outra capital se atreveu a copiar. Quem disse que não se aprende com os erros dos outros ou nossos?  Neste aspecto, Manaus foi referência sim.

Cabe lembrar ainda que David foi alvo de um pedido de prisão, feito pelo Ministério Público no início da vacinação contra a Covid 19. O MP o acusou de "omissão" no planejamento e execução da campanha de imunização, e de “atender interesses particulares”.

O MP foi mais longe. Acusou David de peculato. O Tribunal de Justiça do Amazonas lavou as mãos e jogou a decisão - o pedido de prisão -  para  o Tribunal Federal da 1a Região. O  caso dorme em uma gaveta, sob a chancela de gente que se especializou em construir blindagem destinada a favorecer autores de atos não republicanos.

Bom exemplo, Manaus não é; referência para outras capitais, talvez. Isto  se for considerado  que os erros dos outros não devem ser copiados.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.