Bastidores da Política - Omar Aziz e a nota raivosa dos militares


Omar Aziz e a nota raivosa dos militares

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

07/07/2021 20h28 — em Bastidores da Política

O que falta aos comandantes militares que assinam a nota contra o senador  Omar Aziz, presidente da CPI da Pandemia,  é o que eles dizem que fazem:  "a observância da lei”  e "o comprometimento em preservar e salvar vidas”. E se equivocam ao achar que são "defensores da liberdade e da democracia”.  Estão cegos pela soberba. O que acabam de fazer é  provocar uma crise política, com consequências  imprevisíveis.

A prisão  do ex-diretor do Ministério da Saúde, Roberto Dias, pode até ser didática, mas não ocorreu porque, como os outros depoentes, mentiu à CPI da Pandemia. A atitude  do senador Omar Aziz,  que surpreendeu até mesmo seu interlocutor mais próximo, Randolfe Rodrigues, foi uma explosão interna, de raiva, dor e revolta com  a morte de mais um amigo, o empresário  Otávio Raman Neves, no dia de ontem, quando o número de mortos pela Covid no Brasil se aproximava dos 600 mil.

O que Omar não esperava - ninguém com lucidez esperava - era que uma frase sua falando da parte podre do Exército que aparelhou o Ministério da Saúde e se envolveu em corrupção, em contraposição a parte boa, provocasse uma forte reação dos militares que entendem, equivocadamente, que são defensores da liberdade e da democracia.

A Nota das Foças Armadas, que chama Omar de "leviano", não é um ataque em si mesma  a um senador da República, que preside uma CPI importante para o País, mas ao Congresso Nacional como um todo.

Se o senador Rodrigo Pacheco se abaixa e vem de quatro, Omar grita solitário: “O Congresso somos todos nós”.

E não apenas, você Omar,  os senadores ou deputados. O Congresso somos nós cidadãos, que votamos e rejeitamos a intromissão descabida das lideranças das Forças Armadas na política, que repudiamos aqueles que, sob o peso de três ou quatro estrelas nos ombros, se sentem atacados quando apenas um grupo suspeito de corrupção, que veste farda,  é colocado contra a parede.

Os comandantes militares têm o dever de pedir desculpas pelo erro, admitir que, como em toda instituição, inclusive familiar, há  os que erram e precisam ser punidos.

O que os comandantes militares fizeram, ao assinar a nota contra o presidente da CPI da Pandemia, mais por ingenuidade do que por serem iguais aos que sujam o conceito das instituições que representam, foi  se juntar ao lado obscuro que a CPI quer trazer para o lado claro e submetê-lo à justiça.

Acabam de provocar uma crise politica, talvez institucional, porque falam sobre democracia e união, mas estão de olho nas baionetas, que os encoraja a falar grosso contra um senador da República.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.