Por Raimundo Holanda
Quem esperava que o prefeito de Manaus, Artur Neto, definisse apoio a um dos pré-candidatos ao governo do Amazonas se surpreendeu com nota publicada por ele no Facebook e reproduzida no domingo pelo Portal do Holanda . Nem Eduardo Braga - com as promessas de liberação de recursos federais para Manaus, fato que não ocorreu até agora - nem o governador José Melo, com quem Artur já mantém parceria administrativa - terão o apoio do prefeito, ao menos neste momento.
Artur disse que não está à venda, e fez uma comparação que parece fora de contexto: "o senador Eduardo Braga, o governador José Melo e quem mais possa compor o quadro do Amazonas nunca cometeriam o crasso erro de me confundir com coronel de barranco dos tempos da borracha".
Os "Coronéis de Barranco", aos quais o prefeito se refere, mantinham um sistema de semi-escravidão sobre a população indígena e os trabalhadores nordestinos ou seringueiros, que dependiam economicamente deles.
Não é o caso do prefeito, assediado por fazer um governo aprovado pela maioria da população e, portanto, um ator importante no processo eleitoral, senão como candidato - o que de fato não será - como apoiador.
É natural o assédio, embora haja razão do prefeito em não aceitar que o repasse de recursos(federais ou estaduais) para a infraestrutura da cidade estejam condicionados a apoio político.
Seria uma mistura de público e privado, nefasta para a cidade e para a democracia.
Mas o que o prefeito Artur Neto não pode negar é sua condição de noiva cobiçada pelos inúmeros atributos que tem. E que não há desonra em ser objeto do desejo.
CONVENÇÕES ESTÃO PERTO
As convenções partidárias começam no dia 10 de junho e se encerram dia 30 do mesmo mês. É quando os partidos decidem quais filiados tiveram registro de candidato e se caminharão sozinhos ou se farão coligações com outras legendas.
MAUS POLITICOS
Os votos de quem perdeu a eleição valem para quem se elegeu. Parece uma fórmula esquisita, mas é assim que funciona a legenda partidária. E por conta disso o Ministério Público do Trabalho decidiu “apertar” o torniquete da Lei pra cima dos partidos dos candidatos caloteiros. Principalmente aqueles que perdem a eleição e “somem do mapa” deixando cabos e recrutas eleitorais a “ver navios”. O procurador-chefe Jorciney Nascimento garante que o MPT vai cobrar dos partidos essas contas não pagas.
REGIME DE SEMI-ESCRAVIDÃO NA ZFM
O sindicalista Vicente Filizola, da Força Sindical do Amazonas, diz que no Polo Industrial de Manaus “nós estamos sendo empregados pela política dos países estrangeiros, e temos de produzir aqui e mandar o lucro pra eles lá”. Ele acusa o governo do PT de ter passado o dinheiro da qualificação do trabalhador dos sindicatos para o Sistema S, que é patronal. “Os patrões tem política de trabalho, os trabalhadores não tem. Os patrões têm mais de 200 deputados na Câmara Federal, nós num esforço muito grande podemos reunir até 99”. Vicente só esqueceu de dizer que quem vota nos deputados patronais são trabalhadores.
POUCA VERGONHA
Um total de 800 mil processos dormitam nas gavetas dos tribunais do Brasil, onde cada juiz tem em média oito mil processos para analisar e dar sentença. Mas de acordo com o deputado Praciano, isso não é o pior para o país. “As coisas mais tristes do mundo são os tribunais de contas dos estados” diz ele, apontando que 41% dos conselheiros são indicados por governadores, e segundo o Ministério Público de Contas, 80% dos conselheiros são ex-políticos. “Precisamos desmontar esse sistema, pois graças a ele, 63% municípios estão desviando dinheiro da educação”.
DIREITO ELEITORAL
Os servidores das câmaras municipais do interior vão participar, durante toda esta semana, de videoconferências do Curso de Atualização em Direito Eleitoral, realizadas em parceria entre a Assembleia Legislativa e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). As palestras serão assistidas nas salas da UEA de cada município, enquanto o professor André Luiz Farias de Oliveira ministrará o curso em Manaus.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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