Sempre que o Brasil discute a Constituição ou a reorganização do Estado, o Amazonas precisa ocupar lugar central nesse debate.
Durante décadas, o Amazonas acostumou-se a reagir sempre que a Zona Franca de Manaus ou a BR-319 passaram a ser objeto de questionamentos. Essa postura defensiva já não basta.
Se o país caminha para um novo ciclo de reformas estruturais, o Estado não pode permanecer à margem da discussão, aguardando que seus interesses sejam alcançados para somente então mobilizar sua representação política.
O desafio do segundo turno entre Maria e Omar vai muito além da administração cotidiana. O próximo governador precisará representar o Amazonas em um ambiente institucional que poderá discutir mudanças fiscais, reformas constitucionais e novas prioridades para o desenvolvimento nacional.
O eleitor tem o direito de conhecer não apenas compromissos de campanha, mas a estratégia que permitirá ao Estado participar dessas decisões desde sua origem.
Como dissemos neste mesmo espaço, a Zona Franca de Manaus não constitui apenas um regime tributário diferenciado. Ela integra a ordem constitucional brasileira e expressa uma política nacional de desenvolvimento regional, integração da Amazônia, preservação ambiental e afirmação da soberania sobre uma das regiões mais estratégicas do país.
O segundo turno oferece uma oportunidade que raramente se apresenta. Mais do que revisitar administrações passadas ou prolongar os embates do primeiro turno, a campanha pode finalmente discutir qual será o papel do Estado no Brasil das próximas décadas.
Constituições podem ser modificadas. Políticas econômicas mudam. Maiorias parlamentares se renovam. O que não pode permanecer inalterado é a postura do Estado diante desses fatos.
O Amazonas precisa redobrar sua vigilância quanto aos seus interesses.
As discussões nacionais sobre reformas constitucionais, ajuste fiscal e reorganização da máquina pública deixam de ser temas exclusivos de Brasília para alcançar diretamente uma unidade da Federação cuja principal política de desenvolvimento encontra proteção na própria Constituição.
É nesse contexto que a campanha eleitoral de segundo turno precisa amadurecer.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.
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