A autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis para a Petrobras retomar a perfuração na Foz do Amazonas expõe uma velha assimetria brasileira: quando o projeto envolve interesses econômicos de alta monta, os entraves ambientais se resolvem, as licenças reaparecem, os erros são reprojetados e a máquina estatal anda rápido.
O projeto já havia nascido sob dúvidas estruturais e voltou à pauta após um vazamento. Ainda assim, a solução veio com condicionantes técnicas, treinamentos, trocas de peças. Conserta-se, ajusta-se, autoriza-se. O discurso ambiental não some; ele apenas se acomoda quando a conta fecha e a pressão política é suficiente.
O recado é claro: no Brasil, a régua ambiental sobe ou desce conforme o interesse. E a Amazônia, mais uma vez, paga a conta.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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