O governo Wilson Lima e a síndrome de Alice

Por Raimundo Holanda

28/06/2020 21h44 — em Bastidores da Política

  • O governador Wilson Lima tem um inimigo: ele se chama tempo - tempo passado, que ele não aproveitou e não pode recuperar. Tempo futuro que vai depender da forma como está olhando o presente e se posicionando para mudar a percepção, ruim, criada em torno da sua imagem. O agora é o presente, em duplo sentido. Presente que oportuniza reações, presente em que se constrói o futuro. Desperdiçá-lo, como vem fazendo, é desperdiçar a oportunidade de assegurar que o barco que comanda não encalhará na viagem a 2022.

O governo Wilson Lima vem degenerando pelas bordas e seu núcleo apresenta defeito de origem:  falta de percepção da realidade e capacidade de produzir crises.

O problema está na formação do corpo do governo, no estilo frankstein - parece não ter importado muito  de onde vinham  seus  órgãos vitais e a capacidade de cada um deles interagir com a administração pública.

O resultado é um governo que se auto-incrimina, se auto-conspira, se afasta da sociedade.O risco é acabar antes do tempo.

Se o tempo é inimigo, ele também dá oportunidades que não podem ser desperdiçadas. É o tempo que escreve a história. Mas a questão é como o jovem governador pretende passar para a história…

O governo padece da síndrome de Alice - não tem noção do tamanho dos problemas nos quais se meteu.  O remédio é um choque de realidade, que só o governador, saindo da imersão na qual foi colocado, pode dar.