Bastidores da Política - O assassinato do sargento Lucas e os segredos que Jordana Freire guarda


O assassinato do sargento Lucas e os segredos que Jordana Freire guarda

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

13/11/2021 19h27 — em Bastidores da Política

Jordana Freire, suspeita (juntamente com o marido, o empresário Joabson Gomes), de planejar e mandar executar o sargento Lucas Gonçalves, poderia estar sendo avaliada por um psicólogo, não por policiais. Profissional capaz de extrair de sua garganta a pedra que a impede de falar, que a liberte de si mesma e de seus pesadelos. Se há  uma pessoa que guarda um segredo em relação a morte do sargento Lucas, esse alguém é Jordana, a esposa maltratada pelo marido, amada por outro homem e que agora fala como se a sua família fosse a coisa mais importante, como se o marido fosse o homem de sua vida, como se Lucas nunca tivesse existido…

Uma dia depois da divulgação do prêmio de R$ 40 mil para quem indicasse o nome e local onde se encontra o pistoleiro que  matou o sargento Lucas Gonçalves, supostamente a mando dos donos do supermercado Vitória, Joabson Gomes e Jordana Freire, poucas pistas, mas ao menos duas indicações poderiam, em tese, revelar  o criminoso. É o que a polícia apura, mas com certa cautela. Afinal, o mecanismo de busca exposto no cartaz divulgado pela família da vítima é uma foto, pouco nítida, o que pode levar pessoas a confundir aparências e incriminar um inocente.

A tese da queima de arquivo - o pistoleiro teria sido morto após executar o  sargento - começa a ganhar corpo. Mas aí estaria configurado mais um crime e com suspeitos colocados às claras.

No início das investigações, a Polícia chegou muito rápido  a Joabson e Jordana. Ele,  um grande empresário do setor de supermercados que descobrira que a mulher o traia com o sargento. Ela, a amante, personagem central  de uma tragédia. Em trocas de mensagens com Lucas, Jordana fala de abusos, da violência do marido e das ameaças que ele fazia.

Tudo coloca, na visão de alguns policiais que foram estranhamente afastados das investigações,  Joabson na cena do crime. Não apertou o gatilho, mas os indícios de que contribuiu para tal são grandes. Sua prisão é consequência dessa percepção de como o crime foi planejado.

Indícios não são provas, mas são ligas, como massa de mascar na qual um agente acusado pisa e sai arrastando e marcando o chão de vermelho-escuro.

A relação do empresário com a morte do sargento parece óbvia - traído pela mulher com quem  a vítima tinha um caso, autor de maus-tratos contra ela, ameaças à vida do sargento. Mas ainda assim mero suspeito, até que se prove o contrário.

Jordana também nega o envolvimento do marido no crime, mas e o caso com o sargento?

A questão é saber até onde ela se sente culpada pelo desfecho lamentável desse triângulo amoroso. Provavelmente, não esteve na cena do crime, nem no seu  eventual planejamento. Mas estaria falando a verdade sobre a inocência do marido?

A questão de Jordana poderia ser entregue a um psicólogo,  que é o profissional qualificado para tirar de sua garganta a pedra que a impede de falar,  que a liberte de seus pesadelos.

Se alguém guarda um segredo em relação a morte do sargento Lucas, esse alguém é Jordana, a esposa maltratada pelo marido, amada por outro homem e que agora fala como se a sua família fosse a coisa mais importante, como se o marido fosse o homem de sua vida, como se Lucas nunca tivesse existido…além do homem comum que fornecia mercadorias a sua rede de supermercados. Era mais que isso.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.