Bastidores da Política - No Amazonas, polícia que rouba polícia é assim:‘Parceiro, tu fica com metade e eu fico com metade'


No Amazonas, polícia que rouba polícia é assim:‘Parceiro, tu fica com metade e eu fico com metade'

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

13/07/2021 20h30 — em Bastidores da Política

O coronel Daniel Piccolotto, pivô da operação "Ouro Urbano", deflagrada na última sexta-feira pelo MP-AM-GAECO e Polícia Federal não para de produzir provas contra ele. Em um áudio de uma hora que você pode ouvir abaixo, em duas partes,  o coronel fala do assalto de onde foram levados 30 quilos de ouro, contradiz seu depoimento à polícia, confessa que propôs a divisão do roubo com os agentes da Seai, mas no final diz que foi enganado.

Revela ainda que a intenção dos agentes que o abordaram na verdade era, além de se apropriar do produto, “queimar" Raimundo José Cruz Júnior, o proprietário do metal e para o qual o coronel fazia segurança e transporte até Manaus.

Em certo trecho conclui que o Secretário Samir Freire não tem o perfil para esse tipo de operação criminosa realizada pela SEAI. Mas não diz que qual o comando por trás de Samir.

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Enquanto o coronel transforma o governo do Amazonas em meleca e faz bolinha que atira para todos os lados, o governador Wilson Lima se limita a um silêncio comprometedor. Se demitiu o secretário de Inteligência, apontado como parte da organização criminosa, não emitiu nenhuma nota repudiando o acontecimento e determinando a abertura da necessária sindicância não apenas na Seai, mas na Secretaria de Segurança Pública, onde o agora ex-secretário Samir Freire estava subordinado.

Nem a Polícia Militar, que teve um de seus oficiais envolvido no crime, se manifestou. O silêncio é irmão da cumplicidade.

Wilson vai assim afundando a cada dia. Nada para o governador é tão ruim que não possa piorar amanhã com o desfecho deste caso.

VEJA AGORA A PARTE 2

 

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.