Bastidores da Política - Ninguém aprendeu com a dor em Manaus. Indiferença com os que vão morrer...


Ninguém aprendeu com a dor em Manaus. Indiferença com os que vão morrer...

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

09/02/2021 19h30 — em Bastidores da Política

  • Os que são contra medidas de distanciamento social em Manaus são os de sempre: políticos sem responsabilidade social, a nata empresarial que não corre risco, se isola em chácaras, com  freezers entupidas de carne e vinhos italianos sobrando nas adegas. Essa gente estúpida e egoísta não aprendeu nada com a dor e as lagrimas. Afinal, a dor é dos outros…

Em meio a um lockdown parcial, mas de efeitos comprovados - menos infectados pela Covid 19 em Manaus, ninguém aprendeu a lição. A pressão pela plena atividade econômica - comércio e indústrias abertas - cresceu nos últimos dias, na contramão  das recomendações  de cientistas para adoção de medidas ainda mais drásticas de isolamento social e vacinação em massa da população.

Oa que são contra medidas de distanciamento social são os de sempre: políticos sem responsabilidade  social ou vínculo com os eleitores, ricos e médios proprietários do comércio e executivos da indústria, a nata empresarial que não corre risco, se isola em chácaras, com freezers entupidas de carne e vinhos italianos sobrando nas adegas. Já provou um Sangiovese Toscana 2006?

Adotaram o isolamento como mecanismo de manutenção da vida (deles e dos seus). Entendem que o confinamento é o melhor meio de evitar a transmissão  do vírus, mas acham que este é um direito deles - não se  importam se a população pode ser infectada ou não.

Esse novos e velhos ricos temem o coronavírus e se escondem como podem. Ao primeiro sintoma da doença alugam uma UTI móvel e se deslocam para São Paulo,  com vaga segura no Albert Einstein ou no Sirio Libanês, onde podem pagar R$ 2 milhões pelo tratamento.
O ônus de uma eventual terceira onda -  prevista  pelos cientistas para março, com o aparecimento de novas cepas ou linhagem do coronavírus - fica primeiro com o cidadão comum - o seu José ou seu João, a dona Maria ou a dona Ana - e depois com o Estado, em seguida com o contribuinte que vai pagar pelos custos de tratamentos - que  continuarão sendo feitos de forma inadequada e também  pelas mortes e as indenizações delas decorrentes.

Essa gente estúpida e egoísta não aprendeu nada com a dor e as lagrimas. Afinal,  a dor é dos outros…

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.