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Ministro dá palco a Roberto Jefferson e aumenta risco de cisão na sociedade

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Por Coluna do Holanda
13/08/2021 21h32 — em Coluna do Holanda

Diante da crescente onda de radicalismo no Brasil, em que um lado ataca a democracia e o outro a defende com uma arrogância "assentada nas leis", fica a impressão de que ao final dessa batalha restará um país destruído, com as instituições arruinadas.

Ninguém percebe que essa disputa cega  está criando um vácuo de legitimidade  e um fosso desmoralizante que lá frente pode cindir de vez a sociedade brasileira, ainda mera espectadora de uma batalha politica entre direita-centro-esquerda e  o judiciário, no mesmo rolo inconsequente.

A prisão do ex-deputado Roberto Jefferson foi um excesso e suas consequências são imprevisíveis.

O ministro Alexandre de Moraes dá palco a um ex-deputado  quase esquecido,  que falava para um pequeno grupo de radicais, mas que sabe fazer uso da palavra; que implodiu o mensalão, mas que, isolado, uniu-se ao atual governo a procura de um gesto que o tornasse figura nacional. Conseguiu pelas mãos de Moraes, um ministro passional, que ainda não entendeu que não é mais secretário de segurança de São Paulo, mas membro de uma Corte que precisa e deve ser respeitada. Moraes, com ações do tipo, não ajuda muito.

Embora o pedido de prisão do ex-deputado tenha sido feito por uma delegada federal, é bom lembrar que o inquérito aberto por Moraes, destinado a  apurar atos antidemocráticos,  tem como investigadores delegados e agentes escolhidos a dedo por ele, o que anula o argumento de que Moraes apenas atendeu pedido de uma delegada que defendia o encarceramento de Jefferson em razão de ofensas ao STF e por outros atos antidemocráticos.

Os brasileiros que leem ou acompanham essa disputa e avaliam o nível de ofensas que os bolsonaristas assacam contra autoridades, se orgulham de comportamentos como o do ministro Luiz Roberto Barroso, que atacado por Bolsonaro, deu uma resposta educada, sóbria,  inteligente, mas com efeito de uma bofetada na cara de um presidente celerado: “ A conquista e a preservação da democracia foram as grandes causas da minha geração e é a isso que eu dedico minha vida pública. Por isso, eu não paro para bater boca, não me distraio. Meu universo vai bem além do cercadinho."...  Moraes precisava aprender um pouco com Barroso…

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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