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Manaus, uma cidade dividida em ilhas de prosperidade e pobreza

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Por Coluna do Holanda
15/04/2023 às 01h43 — em Coluna do Holanda
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Fora algumas "ilhas" ocupadas pela classe média alta - Ponta Negra, parte do Vieiralves, Ephigênio Sales,Dom Pedro, e Torquato Tapajós, Manaus é uma grande favela, com dezenas de milhares de ocupações irregulares. Do alto a visão e estarrecedora. Não é difícil mensurar como vivem seus 2,3 milhões de habitantes:  Se é fato que 635 mil famílias recebem auxílio do governo federal e outras 100 mil do governo estadual, então o nível de pobreza é talvez, proporcionalmente aos seus habitantes, um dos mais altos do País, considerando uma família de três pessoas. Algo em torno de 1,8 milhão de manauaras dependem de ajuda governamental para sobreviver.

Dados da Mapa Bioma  Brasil indica que 47% da área de Manaus são ocupados por favela e que isso representa 10 mil campos de futebol. É um dado discutível e a comparação um pouco fora de propósito, mas é fato que as ocupações irregulares cresceram e a cidade se expandiu horizontalmente, sem controle, sem planejamento, aumentando a demanda por transporte, hospitais, escolas, creches, centros de lazer, empregos.

Os arranjos governamentais para fazer frente a esse crescimento sem controle  - bolsa família federal, auxílio estadual - para compensar a falta de empregos, como é permanente, cria um  ciclo vicioso: os mais pobres  não se sentem estimulados a evoluir, e os governos, ao destinarem recursos cada vez mais vultosos para esse tipo de auxílio, perdem a capacidade de investimentos em áreas que poderiam gerar empregos, como infraestrutura.

Mas ao tempo em que não investem em atividades capazes de agregar postos de trabalho, acabam lucrando politicamente. Os currais eleitorais modernos estão concentrados  nesses auxílios.

Quer dizer, o problemas das ocupações irregulares é de certa forma politicamente importante e não pode ser atacado. Exceto quando há uma tragédia, que a oposição explora também politicamente, como se ao longo de quatro, oito, dez, 20 anos  anos não tivesse diretamente estimulado ou feito vista grossa.

 

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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