Bastidores da Política - Manaus projeta futuro com 61 vereadores e muita mordomia


Manaus projeta futuro com 61 vereadores e muita mordomia

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

17/09/2021 18h30 — em Bastidores da Política

A política é um espaço aberto para videntes e charlatões. A diferença é que os políticos, ao contrário de muitos que utilizam púlpitos e tendas para alarmar os fieis ou incautos com o apocalipse, não estão interessados nos centavos que o cidadão  desesperado carrega na carteira,  mas no cofre e na possibilidade de gastar agora em nome de uma previsível necessidade futura.

A ideia de construir um anexo para abrigar “vereadores do futuro em Manaus”, abortada pela Justiça, é um indicativo do descaminho que a chamada “representatividade popular" como um todo tem tomado e explica, em parte, a desilusão da sociedade com o sistema politico vigente. Ou o Pais não estaria dividido como está, ou o sistema judicial não estaria exposto como está, ou não ficaríamos sem saber, afinal, como o será o dia de amanhã.

O problema é que a construção desse prédio, que abrigaria mais 21 vereadores esbarra num simples cálculo. O crescimento  de Manaus até 2042 seria  de apenas 22%, não chegaria aos 8 milhões de residentes para eleger 53 vereadores. Precisaria de 18  a 20 milhões de habitantes para 61 (Isso se a Constituição for alterada).

Os videntes. na verdade, não olham para o futuro, mas para o próprio bolso.  Vem uma eleição aí. É a democracia na sua mais completa exposição, mas nunca como agora tão colocada a prova, tão contestada. E as razões estão em maus exemplos como o demonstrado pela Câmara Municipal de Manaus.

EM TEMPO:

A Constituição do Brasil prevê limite máximo de 55 vereadores para cidades cm mais de 8 milhões de habitantes. A Câmara Municipal de Manaus está antevendo, possivelmente, uma mudança na Carta  em 20 anos. Ou não faria tamanha projeção…

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.