Bastidores da Política - Manaus  ficou menor sem Rosemary, a epidemiologista que a Covid19 matou


Manaus ficou menor sem Rosemary, a epidemiologista que a Covid19 matou

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

22/01/2021 20h17 — em Bastidores da Política

Rosemary Costa Pinto, diretora-presidente da Fundação de Vigilância  Sanitária no Amazonas, estava na linha de frente  da Covid 19. Poderia ter tomado a vacina no primeiro dia da imunização dos profissionais de saúde. Mas ninguém pensou nela. Foi embora nesta sexta-feira como tantos amazonenses, com CPF, carteira do SUS, mas que permanecerão anônimos como símbolo de um tempo de escuridão.

A vacina, que chegou dia 18 e foi aplicada na segunda-feira, 21, açodadamente nas UBS da Prefeitura de Manaus, depois suspensa por suspeita de fraude, reiniciada e suspensa outra vez, não é um banco de uma roda gigante. Precisa ter continuidade e chegar a quem precisa. Qualquer paralisação pode significar a vida de um profissional de saúde. Qualquer fraude, um crime; qualquer suspeita, investigada; qualquer privilégio, combatido.

Manaus vive uma grande noite, com assombrações de carne e osso, mas desprovidas de coração e mente,  entrando pela madrugada para concluir uma simples lista de vacinados exigida pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério  Público Federal. Não falta capacidade nesses fantasmas, falta vergonha, compromisso com o cidadão, entender a diferença entre público e privado, entre lei do menor esforço - aquela na qual se miram para dividir  com os  amigos o que não é deles, mas da sociedade.

E se fazem de bobos e sensíveis, choram lágrimas de crocodilo na tv, acusam os meios de comunicação de  espalhar fake-news, mas não escondem seus pecados ao descaradamente  manipularem fatos - como os jabutis e lagartixas suspeitos de estar  escondidos na lista de vacinados,  crimes pelos quais vão pagar um dia para que esse momento de luto não seja esquecido jamais.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.