‘Leva esse corpo daqui, não é de minha mãe”. Manaus vive dia de vexame e espanto

Por Raimundo Holanda

24/04/2020 21h08 — em Bastidores da Política

A entrega de corpos trocados a famílias de vítimas da Covid 19 em Manaus,  adicionou espanto e horror a um cenário já bastante dramático. E tornou a dor mais aguda.

O descuido de funcionários com os mortos e seus familiares tem um componente de desumanidade, de falta de compaixão, de desprezo com a dor dos outros.

O vírus ja não é a causa da ferida na alma  quando um familiar é acometido e morre pela Covid.  A dor vem de um vexame  de servidores públicos  descuidados, para dizer o mínimo.

São eles a causa do espanto e da humilhação.  Em cada cadáver trocado deveria  vir impressa a frase memorável do filme  “A coisa”, do diretor  Gary Dauberman, como assinatura desses poucos servidores que pecam pelo desleixo e pela incompetência:

Eu sou cada pesadelo que você já teve,  eu sou o seu pior sonho se tornando realidade. Eu sou tudo o que você sempre teve medo”.

E preciso ter  medo mesmo de quem não  honra cargos,  funções ou atribuições que, em tese, deveriam  ligar governo e sociedade.

SAINDO DAS COVAS PARA PROTESTAR

A  crise do coronavírus não é a pior que o Brasil enfrenta. O desmantelamento de governos e suas instituições talvez seja o pior cenário que fermenta no caldeirão do caos momentâneo.

Agora é o próprio país precisa de respirador para enfrentar o vírus que corrói as entranhas do governo central e de alguns Estados como o Amazonas. A grita geral do povo exige ação.

Porém, os governantes se ‘enroscam’ em crises políticas por seus próprios interesses, alheios ao sofrimento do povo. Se não houver um basta, o terror vai precisar sair das covas para protestar.