Bastidores da Política - Investigado pela PF, denunciado pela PGR, Wilson Lima deixa de interessar à CPI da Covid


Investigado pela PF, denunciado pela PGR, Wilson Lima deixa de interessar à CPI da Covid

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

15/05/2021 19h34 — em Bastidores da Política

Aos poucos, senadores da CPI da Covid 19 vão perdendo interesse pela  convocação do governador do Amazonas, Wilson Lima, para depor sobre desvios de recursos da saúde, dos quais é acusado. Não se trata de nenhuma blindagem ao governador, mas ao fato de Wilson Lima ter sido investigado por crimes contra a administração pública, durante a pandemia, pela Polícia Federal, e denunciado pela Procuradoria Geral da República ao Superior Tribunal de Justiça.

Um pedido de prisão contra o governador chegou a ser feito pela PF, em razão de fartos documentos que comprovariam seu envolvimento com a organização criminosa que superfaturou a compra de respiradores.

Outra razão para a não convocação do governador, tem relação com o avanço inclusive da denúncia-crime no STJ, cujo julgamento está marcado para as próximas semanas por um colegiado do tribunal.

Não haveria, portanto, o que  investigar agora que não tenha sido passado por um pente fino pela Policia Federal.

Mas Wilson pode entrar em outra confusão ainda mais séria, isso se o ex-ministro Eduardo Pazuello comprometer o governador no escândalo da escassez de oxigênio em Manaus, no depoimento marcado para o dia 19, dividindo a responsabilidade que hoje recai sobre seus ombros e do presidente Bolsonaro. Nesse caso, Wilson inevitavelmente será chamado a depor na CPI.

Pazzuelo já disse em outras oportunidades que o Ministério da Saúde demorou a ser acionado pelo governador sobre a escassez do produto, o que resultou em dezenas de mortes por asfixia em Manaus no auge da segunda onda da Covid.

Na prática, Pazuello tem essa opção- dividir responsabilidades ou jogar a culpa no governo do Amazonas, o que complicaria ainda mais a situação de Wilson Lima.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.