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A “inteligência” em xeque


Por Raimundo de Holanda

12/12/2023 21h37 — em
Bastidores da Política


  • A justificativa do governo do Amazonas, de que não sabia que servidor nomeado para uma diretoria na SEAI tinha um irmão envolvido com o narcotráfico, atenta contra a própria essência da inteligência do Estado.

Embora seja prudente avaliar o conflito de interesses que representava a permanência de Lanalbert Nunes Obando em uma diretoria da Secretaria de Inteligência do governo do Amazonas, por ser irmão do narcotraficante Sérgio Roberto Obando, sua demissão não se restringiu a um ato discricionário do governador Wilson Lima, mas a uma indevida vinculação com a vida de um familiar, como se carregasse o DNA criminoso do parente de 1o grau. 

Pior foi a nota do governo do Amazonas, afirmando que não sabia dos fatos narrados por um site de notícias e que investigaria o caso.

Ora, causa espécie a justificativa. Se a máquina de inteligência do governo é incapaz de levantar a vida privada, vínculos de amizade, o passado profissional, a ficha corrida de um servidor que ocuparia cargo de confiança, então essa inteligência ou não existe ou está se decompondo pelo grau de escândalos que tem marcado a pasta nos últimos anos  - dois secretários foram afastados por envolvimento com contrabando de ouro e outros crimes.

A  justificativa do governo, para empregar um termo popular do “eu nao sabia”,  atenta contra a própria essência da inteligência do Estado.

O que deu dimensão ao ocorrido não foi a nomeação de  Lanalbert, mas a nota do governo, que nada sabia…

Pelo fato de ser parente de traficante, Lanalbert não é o responsável pelos erros dele. Se estava nomeado é, em tese,  porque tinha ficha exemplar. Isso se presume pela próprio ato de nomeação. 

E é vítima. Primeiro, da falta de “inteligência” do governo. Segundo, do cancelamento que a mídia promove.

Veja também:

Irmão de traficante que ocupava cargo na inteligência da SSP é demitido no Amazonas 

 

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ASSUNTOS: Amazonas, narcotraficante, SEAI

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.