"Procede... procede”. A palavra, repetida duas vezes por um deputado estadual do alto escalão da base governista, é direcionada a um fato novo nas articulações pela sucessão do prefeito Amazonino Mendes (PDT). Muito reservadamente, o nome do ex-vice-governador Samuel Hanan surgiu nesta semana como um dos possíveis concorrentes à prefeitura de Manaus. Hanan é filiado ao PSD.
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A especulação, segundo o deputado, que pediu o sigilo da fonte, casa com a definição do perfil do candidato que o governador Omar Aziz deixou escapar no célebre discurso no Iranduba, de que o nome que apoiaria não precisa ser necessariamente o primeiro nas pesquisas, mas tem de ser técnico e saber administrar. Hanan é hoje o consultor master no planejamento do governo e tem uma ligação muito forte, de amizade e de trabalho, com Omar, consolidada no período dos dois últimos governos de Amazonino.
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E ainda mais. Hanan é também consultor do próprio Amazonino, que tem uma dívida política para com ele. Em 2002, quando seu vice estava mais do que preparado para a sua sucessão, fez vistas grossas para a pernada que Gilberto Mestrinho deu em Hanan, impedindo sua candidatura pelo PMDB.
Amazonino perdeu os pelos, mas não a manha
Um marqueteiro, que conviveu muitos anos ao lado de Amazonino Mendes, disse para a coluna que o autoflagelo sempre foi o forte do prefeito de Manaus, e que nesta arte poucos o superam. "Ao se flagelar, ele se vitimiza. Numa campanha majoritária essa é uma receita para ganhar votos, decidir eleição". O que se conclui dessa declaração é que a história de ir para o estaleiro, anunciada em tom de enterro por Amazonino, esconde uma estratégia. No último segundo a velha raposa pode mostrar os dentes, agora postiços, e anunciar a sua candidatura à prefeitura de Manaus.
Velho manhoso
A raposa que envelheceu, se sente doente, perdeu os pelos com os anos, continua manhosa. O prefeito Amazonino Mendes conseguiu permanecer na mídia, seja pelas especulações em torno de sua eventual não candidatura, seja pelas criticas ao seu governo. O que ninguém está dizendo é que, mesmo com a popularidade em baixa, o velho cacique ainda consegue manter um eleitorado cativo, que chega a 20%. Não é muito, mas ajuda a ganhar uma eleição.
Rápido no gatilho
O ex-pefeito Serafim Correa foi rápido no gatilho ao ser criticado pelo prefeito Amazonino Mendes. Mal terminou a entrevista de Amazonino a uma emissora de televisão, ele já estava na linha da emissora para responder. Primeiro, desejou melhoras ao prefeito “eu sou adversário dele, não inimigo”. Depois detonou: “Ele não pode me criticar, porque em três anos e meio teve R$ 4 bilhões a mais do que eu, e também não fez nada. Nem ele pode andar na cidade, primeiro, porque o povo lhe cobra as promessas que fez e não cumpriu; segundo, porque agora sim, a cidade está um caos”.
Braga atropelado
Quem está perdendo o bonde da sucessão municipal é o senador Eduardo Braga. Enquanto usa a tribuna do Senado para reclamar do lixo em Manaus, papel que caberia a um vereador, é atropelado pelos acontecimentos que estão dando novo rumo ao processo eleitoral em Manaus. Braga corre o sério risco de ficar politicamente isolado e dependente do governador Omar Aziz, que agora dita as regras do jogo.
Chalub fatura alto com carteiras escolares
A empresa Beira Alta, de Jorge Chalub, irmão do desembargador Domingos Chalub, faturou a licitação da Prefeitura de Manaus para a aquisição de 10 mil carteiras escolares. Vai receber R$ 980 mil pela venda à Secretaria Municipal de Educação (Semed). .
Bancas vão custar mais de meio milhão
A Prefeitura de Manaus começou a publicar ontem as primeiras dispensas de licitação decorrentes da situação de emergência decretada na semana passada. A empresa Conterpe é quem vai construir por R$ 622 mil as barracas de madeira que a Prefeitura vai oferecer para os feirantes da Manaus Moderna, no Centro, prejudicados com a cheia do Rio Negro. Essa foi a 1ª contratação que dispensou licitação em função da enchente.
Dispensa no Esporte
Quem também tem aproveitado a onda de dispensas de licitação é o successor do vereador Fabrício Lima na Semdej, o atual secretário municipal de esportes Lourenço da Silva Braga Neto que recorreu a modalidade de concorrência pública para adquirir copo descartável. Ao todo serão R$ 7,1 mil com copos; R$ 6,2 mil com material de construção para os Centros de Lazer; R$ 7,9 mil para óculos e toucas de natação e R$ 7,8 mil para telhas de alumínio.
Oi dá discórdia
Na reunião do Conselho Deliberativo (Condel) da Sudam, realizada nesta quinta-feira em Manaus, o financiamento concedido pela Sudam à empresa de telecom Oi, para trazer fibra ótica a Manaus, resultou em discórdia entre o governador Omar Aziz e o superintedente Djalma Mello. Aziz disse que financiamento saiu e que a empresa não cumpriu sua parte, pois os serviços são ruins e caros na cidade.
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O superintendente da Sudam, Djalma Mello retrucou que não tinha sido pago nada à empresa. Omar Aziz disse, então, que se não foi pago é outra coisa, mas que o financiamento fora contratado.
Ministro reconhece sofrimento
O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, reconheceu o sofrimento que a região Norte passa pela ausência de autonomia da Sudam e do Banco da Amazônia na liberação de financiamentos. Bezerra assegurou que a financeirização do fundos de desenvolvimento regionais vinculados à Sudam devem mudar essa insegurança, além de garantir maior acesso às verbas admnistradas pelo BNDES. Só falta tudo isso acontecer.
Mais gente
Outro ponto tocado pelo ministro Fernando Bezerra foi dizer que está em estudo a realização de concurso para suprir os quadros da Sudam com “sangue novo”, principalmente de técnicos. A Suframa, conforme o superintendente Thomaz Nogueira, também deve realizar concurso. Parece que só vai ficar de fora o povo da fiscalização da Anvisa, do MAPA e da Receita Federal. Quer dizer, a indústria do Amazonas continuará a sofrer.
Intervenção branca
A UGP Copa, diga-se Miguel Capobiango, está se articulando com Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplan), chefiada por Airton Claudino, para fazer revisão do Plano Diretor de Manaus. Vem por aí uma intervenção branca na Prefeitura Municipal de Manaus?
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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