A frase que colocou Carlos Almeida no centro do escândalo dos respiradores

Por Raimundo Holanda

08/10/2020 20h35 — em Bastidores da Política

Numa frase, agora revelada, Rodrigo Tobias, ex- secretário de Saúde do Amazonas,  expõe o vice governador Carlos Almeida  e o coloca no centro do escândalo da compra superfaturada de respiradores: "Procura o Carlos Almeida, pois ele vai ter que te ajudar”. Foi a mensagem encontrada no celular de Perseverando Trindade Garcia Filho, após este receber uma intimação do Ministério Público e comunicar ao então secretário.

Os investigadores vêem neste detalhe e em outros expostos na denúncia, indícios de envolvimento do vice com a Organização criminosa. Mas são indícios ainda frágeis.  Independentemente de ser inocente ou culpado - e a culpa não aparece na denúncia acolhida pelo Ministro Francisco Falcão,  Carlos já foi exposto, é co-autor de um crime do qual ele diz que não participou. 

Fica a versão dos procuradores e da PF,  em uma teia de suposições, como  as expressões  que utilizam na peça acusatória indicam: ’ïnfere-se que", "aduz - se que” e o "supostamente”, expressões  que apontam  dúvida sobre o comportamento “criminoso" do acusado…

No acolhimento da denúncia, o Ministro Francisco Falcão revela uma certa timidez em contrariar a acusação, limitando-se a argumentos  de “cognição, limitada  ou superficial”, alegado pelos acusadores.  Na conclusão, uma frase  que também revela dúvida do próprio ministro  com a sentença que profere:  “O quadro probatório apontado na representação  policial e na manifestação ministerial caracteriza causa provável que legitima e autoriza a realização de busca e apreensão nos endereços investigados."

"Causa provável" é causa para busca? Causa para prisões?  Talvez, mas medidas como a adotada pelo ministro deixam no ar a impressão, ruim, de que o Judiciário é refém dos órgãos acusadores e não tem nem pessoal técnico, nem estrutura para avaliar pedidos extemporâneos que afrontam a liberdade, direito a intimidade,  a não violação do lar, direitos  fundamentais previstos  na Constituição do País.