Falta de comando e disciplina tornam a polícia dispersa e perigosa

Por Raimundo Holanda

15/08/2020 21h23 — em Bastidores da Política

Viver ou morrer não é uma escolha.Especialmente para o policial, que veste uma farda ciente de que sua missão é a defesa da sociedade.  O custo dessa opção - ser policial - pode significar a própria  vida.  Quando um policial morre em combate  é natural  a comoção  da tropa. O que não é  natural são as manifestações de ódio e de revide  - como se não houvesse na   estrutura da segurança pública uma policia judiciária para investigar, peritos para analisar o crime e facilidades para o acesso ao aval do judiciário para prender e punir os culpados. A isso se chama Estado de Direito, democracia, respeito as leis, culto a liturgia da função de policia.  O resto é barbárie.

O exemplo mais recente do excesso policial é o episódio de Nova Olinda de Norte, onde dois policiais foram mortos e a secretaria de segurança reagiu com violência, instaurando o caos e forçando a entrada da Polícia Federal  para proteger índios e caboclos do rio Abacaxis. Neste sábado, mais uma mau exemplo de excessiva exacerbação no enterro  de outros dois policiais mortos em Manaus

Falta à policia comando e uma disciplina perdida ao longo dos últimos anos. 

NEM SEMPRE FOI ASSIM

Contribuiu para esse quadro de degeneração da polícia as facilidades de promoções - uma policia com mais sargentos,  tenentes, cabos  e com menos soldados, é uma policia onde todos em tese são chefes. E ainda tem a política partidária, que entrou pela porta da frente instituindo greves e criando currais eleitorais dentro dos quartéis.

TEM SAÍDAS

Ainda não é o fim. Ainda tem  tempo de dar um jeito nisso. A Polícia é uma instituição da sociedade, não do governo. E deve ser preservada como instrumento de defesa  da população, respeitando regras, respeitando direitos, respeitando a lei.

JOGO DE CACIQUES POLÍTICOS

Por conta da pandemia da Covid-19, a corrida eleitoral deste ano ganhou uma ‘esticada’ para dar tempo dos eleitores e candidatos saírem da quarentena. Por enquanto, ninguém é candidato a nada e só um político no país faz campanha aberta. Para sua reeleição em 2022.

O isolamento social sugere uma calmaria, mas os personagens maiores na disputa traçam estratégias para se colocarem em posição de negociar. Ou de dar um ‘bote’ certeiro no adversário.

SEM AMIZADE OU FIDELIDADE

Nesse jogo não existe nem amizade nem fidelidade. O objetivo é tomar a dianteira numa corrida rasa, onde só existe troféu para o 1º lugar; 2º e 3º só esperam tapinhas nas costas.

Por isso, na disputa majoritária quem não tem cancha, mas tem votos, prefere ser vice. E vai servir de ‘cavalo’ para o cabeça. Mas nesse tabuleiro, ‘cavalo que cochila leva pernada’.

O SUCESSOR

Em Manaus, o fato de o prefeito Arthur Neto não ter direito à reeleição e nem herdeiro político, deixa o jogo nebuloso. Mas  não  duvidem: Artur articula e articula bem a escolha de um sucessor. 

 Enquanto os 5.570 pretendentes a prefeito e mais de 56,8 mil vereadores fazem arranjos nos bastidores, o presidente Bolsonaro cavalga pelo interior construindo base para a sua reeleição.