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Em 11 anos, Assembleia do Amazonas cassou dois deputados

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Por Holanda
25/08/2013 04h27 — em Coluna do Holanda

Nos últimos 11 anos, a Assembleia Legislativa do Amazonas cassou dois deputados, por quebra de decoro parlamentar. O primeiro foi Antônio Cordeiro, acusado de participar de fraudes em licitações do governo, durante a Operação Albatroz, da Polícia Federal, que investigava o desvio de R$ 500 milhões dos cofres públicos do Estado. Cordeiro foi cassado por 14 votos a favor, seis contra e duas abstenções, na tarde de 24 de novembro de 2004. Era votação secreta e o resultado saiu em cinco minutos. Antes, ele fez discurso, declarou ser inocente. Seu advogado, Domingos Chalub, chegou dizer que os deputados estavam sendo pressionados para votar pela cassação, mas não havia provas contra o seu cliente.

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O segundo deputado cassado foi Wallace Souza, no dia 1º de outubro de 2009: 16 votos a favor, quatro contra e três abstenções. Sobre ele pesava a acusação de chefiar o crime organizado em Manaus. Era apresentador de um programa de televisão e em 2006 foi o deputado mais votado. No dia da cassação, Wallace apareceu vestido de branco, subiu à tribuna com uma Bíblia na mão, declarou inocência e chegou a pedir perdão aos colegas. Durante toda a votação Wallace ficou com a cabeça entre os braços. Declarada a cassação, o único deputado que se voltou para ele foi Liberman Moreno. Morreu no  dia 27 de julho de 2010, no Hospital Bandeirantes, em São Paulo, depois de uma parada cardíaca.

 A VEZ DE NICOLAU

Na quinta-feira 22, a Comissão de Ética da Assembleia Legislativa deu início ao processo para abertura de Processo Ético-Disciplinar, para investigar a denúncia sobre um termo aditivo de R$ 1,6 milhão, assinado pelo ex-presidente da Casa, Ricardo Nicolau (PSD). O presidente da Comissão, Vicente Lopes (PMDB), já convocou a primeira reunião para a próxima quinta-feira 29. O aditivo foi assinado no dia 13 de janeiro deste não, mês de recesso parlamentar e nenhum dos outros membros da Mesa Diretora participou da reunião agora chamada de fantasma.

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Não tem como prever se a cassação do mandato de Nicolau esteja a caminho. Mas se tal acontecer, ao contrário de Cordeiro e Wallace, Nicolau saberá o voto de cada um dos colegas. Isso porque o voto secreto na Casa, para qualquer situação, foi extinto no dia 10 de julho deste ano.  

SEMANA DE SURPRESAS

A semana política começa com a novidade do desligamento do vice-governador José Melo dos quadros do PMDB. Melo começa a construir o velho sonho, agora possível, de ser governador do Amazonas. Em 2002 ficou cotadíssimo para ser o candidato a vice de Eduardo Braga, indicado como candidato do sistema pelo  cacique Amazonino Mendes. Chegou a afirmar que com Amazonino seria até bedel da UEA. Mas esbarrou na falta de palavra do próprio Amazonino, mestre em pernadas, que na véspera da convenção colocou Omar Aziz. Melo engoliu sem cuspe e continuou sua vida de eterno faz tudo no governo.

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Agora o ex-bedel tem a chance de ser reitor. Melo, mais do que ninguém conhece os meandros do governo e sabe preparar arapucas pra apanhar rolinhas ariscas. Foi ele quem deu o troco a Amazonino, em 2006, arrebanhando os melhores cabos eleitorais do interior para  Braga. Amazonino foi derrotado no primeiro turno e engoliu a pernada do ex-aluno. Braga o premiou com a vice na chapa de Omar em 2010.

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Agora, Melo pode ter seu voo solo e enterrar de vez o carrasco Amazonino. Mas tem um drama pela frente.  Assumir o governo e disputar a reeleição  pode colocá-lo em  confronto direto com seu ex-amigo Eduardo Braga.

Tapajos  virou tce ?

O rombo(?) no Manausprev continua a dar panos pras mangas. A ex-administradora do fundo, Daniele Leite, afirmou na sexta-feira que o secretário da Semef, Ulisses Tapajós, aprovou sua prestação de contas e agora está afirmando que existe um rombo de R$ 300 milhões no Manausprev. Ela até pode estar certa ao negar, mas que o BVA afundou com grana do município não dá pra esconder.

Desunidos e morando longe

O deputado federal (suplente) Plínio Valério (PSDB) soltou os cachorros neste sábado ao saber que a Suframa/Fiem realizaram seminário para debater a questão do ICMS sem convidar os parlamentares. Pra ser breve: Plínio disse que os parlamentares não são convidados para esses eventos, mas quando o pau quebra, eles (parlamentares) é que são culpados por não defender a ZFM. Falou pouco, mas disse muito.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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