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Dom Phillips e Bruno não merecem o circo que começa a ser montado


Por Raimundo de Holanda

13/06/2022 19h17 — em
Bastidores da Política



Tudo ia bem, até o  ministro-conselheiro da embaixada brasileira em Londres, Roberto Doring, avisar à família de Dom Phillips que o corpo do jornalista havia sido encontrado. A PF logo desmentiu, mas a informação, falsa, provocou um frisson na mídia e correu o mundo.  Uma pegadinha? O caminho agora é deixar a polícia trabalhar. Ou tudo vai virar um grande circo.

Conselheiro da embaixada brasileira em Londres, Roberto Doring informou sobre descoberta de corpo, não confirmado pela PF.

Se há duas coisas difíceis de fazer no Brasil é polícia (ou trabalho policial investigativo), e jornalismo. Sempre tem os que se sobrepõem as informações ou investigações e as deturpam ou se assenhoram de versões alternativas que conspurcam a verdade e comprometem todo um trabalho de apuração e esclarecimento dos fatos. O exemplo mais recente é o caso envolvendo o desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips.

As coisas iam bem até domingo, quando a força-tarefa composta pela PF, Policia Militar, Bombeiros e pessoal fornecido pelo Exército juntava provas, prendia  o principal suspeito, ouvia  testemunhas, colocava a perícia para identificar DNA das supostas vítimas e avançava num caso que parecia próximo de ser solucionado.  Aí entra o ministro-conselheiro da embaixada brasileira em Londres, Roberto Doring, avisando à família de Phillips que o corpo do jornalista havia sido encontrado. A PF logo desmentiu, mas a informação, falsa, provocou um frisson na mídia e correu o mundo.

Uma pegadinha ?  Uma tentativa de tumultuar uma investigação que ia bem e caminhava ou caminha para uma conclusão e prisão dos envolvidos? Ou estratégia para fazer a mídia tradicional entrar no que ela mais combate: as fake news?

Não se sabe, mas partindo de uma autoridade credenciada pelo governo para representar o País no exterior é gravíssimo.  De onde ele tirou essa informação?

O problema no Brasil é que todos querem tirar proveito de fatos com grande repercussão. É um país onde a classe dominante é muito esperta. Tão esperta que enriqueceu, alcançou cargos de relevância em várias instâncias de poder. É só observar algumas decisões judiciais em torno do caso,  ou o oportunismo da classe politica, agora determinada a constituir uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a violência no Vale do Javari (Por que somente agora? Por que é ano eleitoral?)  Ou a ideia estapafúrdia  de criar uma comissão externa para também atuar na área. Que é isso?

O caminho agora é deixar a policia trabalhar. Ou tudo vai virar um grande circo. O caso exige mais que isso...Exige comedimento das autoridades do governo e, porque não, da imprensa ?

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.