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COP 30 expõe as contradições do discurso ambiental de Marina Silva


Por Raimundo de Holanda

14/11/2025 19h29 — em
Bastidores da Política


  • A COP30 deixou evidente a contradição entre a agenda ambiental pessoal da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e a agenda ambiental do próprio governo.
  • Marina enfrenta sem reserva os planos para asfaltamento da BR 319 porque o tema é regional, fragmentado e não atinge o núcleo econômico do governo. Já o petróleo da Margem Equatorial envolve "estratégia nacional" e a arrecadação federal, áreas onde o governo não admite dissenso público.
  • A diferença de tratamento entre a BR-319 e o petróleo evidencia o limite político imposto à ministra.

Logo no início da COP 30, ficou claro que a ministra Marina Silva não podia criticar a decisão do governo de autorizar perfurações de petróleo na Margem Equatorial, embora sempre tenha se posicionado contra a expansão de combustíveis fósseis. Esse silêncio não é natural, mas imposto pela estratégia política do governo Lula.

A incoerência aumenta quando se lembra que o governo aprovou uma política que prevê o uso de termelétricas por mais 30 anos, garantindo a continuidade dos combustíveis fósseis no país. 

Enquanto isso, o discurso oficial na COP30 fala em “rota de saída” do petróleo e em compromisso climático. Na prática, o país aposta simultaneamente em descarbonização e em novas fontes fósseis, criando uma dupla narrativa difícil de sustentar perante a comunidade internacional.

A diferença de tratamento entre a BR-319 e o petróleo evidencia o limite político imposto à ministra. 

A fragilidade do discurso ambiental da ministra se tornou ainda mais nítida quando a Colômbia, na COP30, anunciou que toda a sua Amazônia seria declarada zona livre de petróleo e mineração — exatamente o tipo de medida que Marina sempre defendeu, mas que hoje está politicamente impedida de sustentar pelo próprio governo que representa.

 

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ASSUNTOS: Amazonas, BR 319, COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS, COP 30, Marina Silva

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.