Bastidores da Política - Caso Lucas X Jordana X Joabson: assassinato tem suspeitos, mas está longe de ser solucionado


Caso Lucas X Jordana X Joabson: assassinato tem suspeitos, mas está longe de ser solucionado

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

27/11/2021 20h40 — em Bastidores da Política

O caso do assassinato do sargento Lucas Gonçalves ganhou uma aparência de avanço com a prisão de um suspeito. Mas a Polícia está sendo instada a desmentir a incômoda versão, dada pelo acusado, Silas Ferreira da Silva, de que o depoimento que assinou revelando detalhes do homicídio foi uma farsa, montada pelos investigadores.

Sob pressão dos advogados do acusado, que supostamente seria o pistoleiro contratado a mando dos donos do Supermercado Vitória, a policia resolveu marcar  um novo depoimento.

O recuo é um erro, ou admissão de que o documento foi  informalmente produzido e o acusado obrigado a assiná-lo sob tortura - como supõem os advogados -  ou se trata da transcrição “literária” de um diálogo fictício, destinado a uma encenação que não tem espaço para ser  interpretado em uma delegacia ou em um eventual tribunal do júri.

Um depoimento não é o script de uma peça teatral. É a confissão de um delito. Tem implicações legais.

Se considerado o depoimento que esta coluna divulgou ontem e que foi colocado sob suspeita tanto pelo suposto pistoleiro como por seus advogados, há nele  questões que a Polícia ignorou:

1- Foi indicado o nome da pessoa que fez o contato com o acusado, negociou o valor, pagou por ele e recolheu depois do crime cometido  toda a indumentária que o pistoleiro usou durante a execução, além da arma e da moto.

A pergunta que não quer calar é: por que a Policia a partir de então não fez diligências, não prendeu o suspeito e não fez a acareação com o suposto criminoso?

Por que a Polícia, que teria um chip apreendido em poder do acusado, no qual haveria ligações deste com o intermediário, não percebeu imediatamente que o nome Reginaldo era fictício? Que poderia ser Romário…

O acusado diz que “Reginaldo” é uma criação do delegado. Será mesmo?

É hora de a Polícia esclarecer esse fato, ou com essa confusão agora instalada estará ajudando, involuntariamente, a criar uma rota de fuga para a verdade objetiva.

O que se sabe  até agora, objetivamente? Que há provas do caso extraconjungal de Jordana, mulher de Joabson, com o sargento assassinado;

Prova que Joabson  descobriu o romance e que Lucas sentia-se ameaçado em razão da descoberta do caso;  que a ciência já provou que em um homem traído se revelam ao menos duas personalidades…

Que há um suspeito que nega o crime, e que chegou a ele após denúncias anônimas. A semelhança física é um indício, mas ainda não a prova. Portanto, o depoimento tem que ter consequências.

A verdade tem que aparecer. A poderosa rede de proteção criada para que esse crime não seja de todo esclarecido precisa ser desmontada. Cabe à Polícia fazer esse papel. Cabe à sociedade cobrar, cobrar e cobrar…

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.