Bastidores da Política - Carta aberta aos amazonenses que perderam os que amavam durante a pandemia de Covid 19


Carta aberta aos amazonenses que perderam os que amavam durante a pandemia de Covid 19

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

21/10/2021 20h14 — em Bastidores da Política

Depois da tragédia, alguns precisam manter a narrativa falsa de que curaram vidas. Precisam destruir a verdade e o meio de destruir a verdade é calando a imprensa livre e independente. Não teriam êxito se alguns juízes fossem mais atentos, mais justos, mais compromissados com a lei, a ordem e a liberdade

A morte chegou silenciosamente e nos recolhemos por um longo tempo. Ela estava num simples abraço, em um beijo, num aperto de mãos. Nunca ficamos tão distantes um do outro.  Os melhores gestos de aproximação entre pessoas - como o aperto de mãos e o abraço - foram suprimidos em nome da vida. A vida que não prospera sem o outro, a vida que não floresce sem o outro. E mesmo assim a morte triunfou por um longo período.

Dia após dia víamos amigos e parentes carregando cápsulas de oxigênio desesperados e, ainda assim, os que amávamos não resistiam. Esse é um tempo que está passando. Ficará marcado para sempre em nossa memória.

Mas também é um tempo no qual descobrimos os vilões dessa tragédia humana: os que transformaram muitos amazonenses em cobaias de experimentos inócuos com a  proxalutamida, que colocaram enfermos em cápsulas e eles foram ejetados para o outro mundo. Gente sem escrúpulos, que lucrou com a tragédia, a dor e a morte.

Hoje a luta dessa gente é outra: já lucraram demais. Agora  precisam manter a narrativa falsa de que curaram vidas. Precisam destruir a verdade e o meio de destruir a verdade é calar a imprensa livre e independente.

Não teriam êxito se alguns juízes fossem mais atentos, mais justos, mais compromissados com a lei, a ordem e a liberdade.

De certa forma, mesmo quando a essa gente é concedido o direito de calar a imprensa, não estão ganhando nada, mas sendo empurradas para o abismo.

O mal sempre acaba mal, amargo, sem mel. Sem o mel  que elas criaram com oportunismo cínico

Mesmo quando o Judiciário falha e dessa falha alguns espertos tiram  outra vez proveito  da vida dos outros, da qual a liberdade é parte fundamental, há perdas que a vaidade rude e perversa deles nem percebe.

A diferença é que experiências com proxalutamida  e outras drogas matam pessoas, mas relações   que envolvam pessoas de poder  e autoridades, embora uma doença moral do nosso tempo, mata a crença na justiça,  mas não mata a liberdade…

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.