Carlos Almeida, a imprensa e a receita para o desastre

Por Raimundo Holanda

28/10/2020 21h17 — em Bastidores da Política

O vice-governador Carlos Almeida, ao anunciar que faria um pronunciamento público à imprensa sobre a "Operação Sangria", da qual foi alvo de busca e apreensão, escreveu a receita de um desastre. 

Não percebeu que, além do aspecto jurídico da questão, há um jogo de poder onde a informação é um ativo muito poderoso e manipulável. Em tempos de internet, então! Quem a controla, tem quase tudo… 

Se não queria nem podia falar, deveria entender que seria questionado sobre fatos que ou o constrangem ou que ainda precisam ser esclarecidos. 

O segredo de Justiça não é óbice para divulgar fatos que eventualmente conheça ou fazer juizo de valor sobre eles. Ou parte do processo ou todo ele não vazaria como tem vazado. 

 O resultado foi uma confusão para a qual contribuiu principalmente o vice-governador, ao virar as costas para os repórteres que queriam ouvi-lo. Mas não somente ele - também a ação de parte da imprensa, que tem confundido o direito de perguntar com interrogatório agressivo e descabido.

Se houve agressão,  ela foi motivada por ambas as partes. E não foi a liberdade de imprensa mais uma vez violentada, como induz o Sindicato dos Jornalistas em sua nota. A grande vítima foi a oficial da PM que acompanha o vice-governador,  logo punida pelo "crime"  de tentar evitar o cerco ostensivo de repórteres a Carlos Almeida, como mostram os vídeos abaixo. Ela foi afastada pelo governo do Estado. Que pressa!