Bastidores da Política - Bonatinho, a eminência parda do governo do Amazonas


Bonatinho, a eminência parda do governo do Amazonas

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

08/08/2021 19h49 — em Bastidores da Política

O protagonismo assumido por Luís Mário Braga Bonates, o secretário extraordinário do governador  Wilson Lima, com todas as decisões governamentais  passando por ele, chamou a atenção dos órgãos de controle e o colocou no centro das  crises, intrigas, trapaças e segredos do governo do Amazonas.

O afastamento do pai, coronel  Bonates, secretário de Segurança, primeiro demitido "a bem do serviço público" pelo vice-governador Carlos Almeida,   expôs o papel  de Luiz Mário, ao interferir na demissão e convencer o governador Wilson Lima a simplesmente ignorar a medida, por não ter sido publicada no Diário Oficial.

Contratado como secretário extraordinário para  “coordenar  estudos voltados à modernização dos sistemas de informação utilizados pela Administração Pública Estadual” e “promover a integração dos sistemas com o objetivo de centralizar as informações e dar maior transparência aos  gastos públicos” , Bonatinho, como é tratado pelo governador, acabou  acumulando  um poder mais que extraordinário, reforçado pela  amizade  com Wilson Lima.

Contribuiu para a exposição do poder de Bonatinho  dois fatos recentes: Primeiro, o de  ter partido dele a  iniciativa de indicar para a Secretaria de Inteligência do governo do Amazonas o delegado Samir Freire, preso em 9 de julho durante a Operação Ouro Urbano, deflagrada pelo Ministério Público do Amazonas/Gaeco em Manaus. Samir é acusado, juntamente com um coronel da PM e outros policiais, de achacar garimpeiros e roubar ouro. A investigação avança sobre outros membros graduados do governo do Amazonas.

Segundo, a demissão do pai, ocorrida na ausência do governador Wilson Lima. Como substituto eventual, o vice governador Carlos Almeida assumiu o governo e demitiu o secretário. O ato foi anulado pelo governador  que, sob pressão, alegando uma reforma administrativa, o exonerou    novamente uma semana depois.

Agora o governador tenta uma rearrumação, com Bonatinho se recolhendo a função para a qual foi nomeado, mas sem poderes para executá-la.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.