Bastidores da Política - Bolsonaro estimula  processo de desmoralização das instituições do país


Bolsonaro estimula processo de desmoralização das instituições do país

Por Raimundo Holanda

07/05/2019 20h02 — em Bastidores da Política

Olavo de Carvalho vinha  tuitando apenas  bobagens ao gosto de seus seguidores cabeças-ocas. Agora começa a exercer um comando oficioso de um Brasil desgovernado. Os ataques aos militares não são apenas tuitagens irresponsáveis. É um processo de desmoralização das instituições do país. E isso é tão sério quanto assustador.  Primeiro porque Olavo é respeitado pelo presidente Bolsonaro e tem como fiéis escudeiros os filhos do presidente, tão desvairados quanto ele. Segundo porque se trata de uma intromissão indevida no governo. Terceiro porque semeia a discórdia e desmoraliza o próprio presidente.  

O Brasil atravessa um momento delicado entre a incerteza de uma transição sem rumo e a permanência no presente quase sem futuro. Tem no comando um governo inexperiente e estabanado, orientado por um ‘guru’ tresloucado que gosta de brincar de todo-poderoso.

Até semanas atrás, Olavo de Carvalho apenas tuitava aleivosias ao gosto de seus seguidores cabeças-ocas. Agora, porém, começa a exercer um comando oficioso do país desgovernado.

E isso é uma ameaça séria. Primeiro porque Olavo é respeitado pelo presidente Bolsonaro e tem como fiéis escudeiros os filhos do presidente, tão desvairados quanto ele próprio.

Nesta teia de insensatez, o escritor apanha os incautos e ensaia uma tutela ideológica sobre o país, trabalhando para desestruturar o governo e provocar o caos que precede os golpes.

Que Olavo de Carvalho é louco diagnosticado e ex-internado, muita gente sabe. Porém, a maioria está esquecida que os regimes de força são liderados por loucos megalomaníacos.

Os ataques aos militares que apoiaram Bolsonaro iludidos pelo próprio Olavo, não são apenas tuitagens irresponsáveis. É um processo de desmoralização das instituições do país, que Bolsonaro, talvez por desinformação das responsabilidades do cargo que ocupa -  incentiva.

Isso precisa ser combatido com urgência e rigor pelos poderes constituídos, sem esperar por uma reação do presidente que trata os assuntos de governo como rixa de meninos malcriados.  

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.