Bastidores da Política - A blindagem que protege o governador Wilson Lima é de papel machê


A blindagem que protege o governador Wilson Lima é de papel machê

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

30/11/2020 21h07 — em Bastidores da Política

A blindagem que protegeria o governador Wilson Lima de um possível afastamento ou mesmo de prisão parece  feita de papel machê. A cada operação da Polícia Federal a fortaleza, vendida ao governador  por grandes escritórios de advocacia e lobistas conhecidos, se rompe e no seu lugar surge o papel picado e amassado no qual a sua administração foi transformada.

Sem blindagem, Wilson é exposto e desidratado, mas a Procuradoria Geral da República não o denuncia. Estranhamente busca, seis meses depois da primeira operação da PF, que o apontou como líder da organização criminosa que superfaturava  respiradores, "elementos  que  reforcem  o acervo  probatório” contra ele.  

Mas quais elementos? Não foram suficientes as provas obtidas pela Polícia Federal, que o apontou como líder da organização criminosa que superfaturava respiradores em plena pandemia de coronavírus?

O que a subprocuradora Lindora Araújo pontua, ao justificar a operação desta segunda feira, apenas indica  que a PGR não vê, ao contrário da PF, que há  materialidade e indícios de autoria para fazer a denúncia  e pedir o afastamento  do governador. 

A blindagem de papel machê só subsiste e serve de proteção a Wilson porque há dois atores  nos dois lados da sua estrutura.  Mas se  desabar com o vento forte das ruas, não apenas Wilson Lima restará  abatido entre o papel  picado, mas também o conceito da PGR ficará fortemente abalado.