Bastidores da Política - Amazonas, descuidado, espera passivamente a 3a onda de Covid 19


Amazonas, descuidado, espera passivamente a 3a onda de Covid 19

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

02/04/2021 21h19 — em Bastidores da Política

Casos de Covid 19 no Amazonas foram reduzidos drasticamente nos últimos meses,  mas há um preocupante registro da doença entre os jovens, o que é uma novidade. Mais expostos, até por opção, sofrem as consequências de riscos assumidos. Sempre houve o entendimento de que eles eram resistentes ao coronavírus, mas serviam como hospedeiros e transmitiam para os mais velhos. Essa curva está se invertendo.  A balada da noite se transformou em tragédia doméstica. Na volta para casa, contaminam a família, os amigos, os vizinhos.

O Amazonas tem um governo estranho, para dizer o mínimo, movido a achismo. Como no auge da pandemia morriam 100 pessoas por dia, o fato de a média de mortes ter caído para 17, agora as autoridades relaxaram. E em um momento ainda delicado, com os números assustando:  830 casos de infecção por Covid 19 registrados somente nesta sexta-feira, com a previsão sombria de o Amazonas fechar o ano com 600 mil infectados.

Se  o número de mortes for controlado no patamar atual, até o final de dezembro terão morrido mais 4.641 amazonenses, considerando mortes diárias por Covid. No caso de 24 hrs, a metade, ou 2.320 pessoas. Isso numa estimativa otimista, de controle da epidemia, o que parece improvável diante da liberação geral de atividades não essenciais, com balneários lotados, bares fazendo a festa e estimulando a transmissão do vírus em cadeia.

Não é nada tranquilizador saber que há 730 pacientes com Covid internados na rede pública e privada, dos quais  385 em UTI.

O  governo do Estado diz que acompanha outras 38.814 pessoas  com Covid, mas esse acompanhamento  é falho ou não existe.

O fato é que não se pode contar com o amanhã, nem fazer planos, nem sonhar com dias melhores enquanto a pandemia não foi debelada.

E com esse "vão para a rua, bebam, tomem banho de Sol nas praias abertas, comam e conversem nos ""restaurantes", sonhar ficou quase proibitivo.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.