TUCANOS ATRASADOS
A coligação que reúne o PSDB, PPS e PV pode ficar de fora das eleições deste ano. Por questão de minutos, não formalizou a tempo a inscrição de seus candidatos na Justiça E;leitoral. No TRE, a coisa ficou abafada, com todos procurando um jeitinho para contemporizar um problema que é fruto da falta de organização dos tucanos. Se o Ministério Público Eleitoral resolver entrar no caso, as coisas podem, como dizem os políticos, melar de vez...
OS PORTOS, EIS A QUESTÃO
O que vinha sendo murmurado há algum tempo, começa a ficar escancarado: o senador e candidato ao governo, Alfredo Nascimento (PR), ministro dos Transportes até o início de abril deste ano, não vai aceitar pagar a conta sozinho, no caso dos desabamentos de portos, construídos com verba federal. Ele quer não apenas repartir a responsabilidade, mas também, e se for possível, responsabilizar totalmente o agora ex-governador Eduardo Braga (PMDB), com quem assinou convênios para construção de portos no Amazonas. Braga é candidato ao Senado na eleição deste ano, Alfredo quer a cadeira hoje ocupada pelo governador Omar Aziz (PMN) e não aceita ser demonizado.
ENGATANDO O DISCURSO
Debutando no Senado (ele apenas tomou posse, em 2007, e passou o mandato para o suplente João Pedro/PT), Alfredo engatou um discurso onde defendeu uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) nas obras de terminais de portos que acabaram desabando após a inauguração.É o caso sempre lembrado do porto de Humaitá, inaugurado com a presença de ninguém menos do que a presidenciável Dilma Roussef (PT), quando era ministra chefe da Casa Civil. Estavam com ela o próprio Alfredo Nascimento e Eduardo Braga, que reagiu à manifestação do ex-ministro. Sim, Braga devolveu a bola: que o TCU também investigue, por exemplo, os convênios do Ministério dos Transportes com a Companhia Docas do Maranhão (Codomar). Mais: o convênio para construção de outros portos no interior do Amazonas, está atrasado. Alfredo e Braga já estiveram juntos em várias batalhas eleitorais, hoje estão de lados opostos, apenas por circunstâncias.
CAÇA- TALENTO
O governo Omar Aziz informa que o Amazonas “conta com R$ 10 milhões para descobrir novos talentos”. Trata-se de um convênio no valor de R$ 10 milhões, entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e a empresa Whirpool Latin America que, segundo o governo, atua com as marcas Brastemp, Consul e KitchenAid no Brasil. Convênio assinado ontem, com o objetivo de revelar talentos na área acadêmica. E as linhas principais dos projetos serão voltados para objetos eletrônicos eletroportáteis. O presidente da Fapeam, Odenildo Sena, avisa que no site da instituição (www.fapeam.am.gov.br) estará disponível um edital, para que os pesquisadores candidatos a um financiamento, possam dar mais informações. Os projetos vencedores serão financiados pela parceira, explica Odenildo.
IGNORARAM O ARTHUR
O jornal Amazonas em Tempo não deu a mínima importância ao senador Arthur Neto (PSDB), autor da PEC 17, que prorroga os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus até 2033, aprovada na quarta-feira (a PEC precisa ser aprovada na Câmara dos Deputados). Ao contrário do jornal A Crítica,por exemplo, que fez chamada na capa com a foto de Arthur discursando no Senado, o Em Tempo jogou a notícia para a página de economia . Citou o nome de Arthur uma única vez e ilustrou a matéria com a foto de um funcionário (de costas) do Distrito Industrial. O Em Tempo optou por fazer chamada sobre a aprovação das contas do ex-governador Eduardo Braga, completando com “Shrek vice crise de meia-idade”. Sim, Shrek mereceu uma senhora ilustração, só para mostrar a importância do assunto.
O CARA
Mas se Arthur Neto foi solenemente ignorado pelo Amazonas Em Tempo, deputados estaduais o cobriram de elogios, durante a sessão plenária de ontem, na Assembleia Legislativa. Começou pelo oposicionista Luiz Castro (PPS), com quem o PSDB está coligado para a eleição de outubro. Para os deputados Marcos Rotta e Nelson Azêdo, ambos do PMDB, não tinha como de deixar de reconhecer os méritos de Arthur, tanto na apresentação da PEC 17, quanto na sua aprovação. “Não posso, de maneira alguma, deixar de reconhecer que o senador Arthur Virgílio dá uma demonstração da sua liderança nacional, reconhecida pelos grandes líderes do Senado. Também não podemos esquecer que a deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB) tem sido um grande baluarte na defesa da Zona Franca e tem proposta semelhante”, afirmou Rotta, para quem já está mais do que na hora de o modelo ser perenizado.
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Nelson Azêdo, líder do PMDB na Casa, chamou Arthur de “brilhante senador” e a quem, diante da aprovação da PEC, os deputados teriam de ser, “no mínimo”, gratos. “Quem conhece o trabalho desse brilhante senador da República, quem já teve oportunidade de acompanhá-lo a alguns ministérios, sabe do seu prestigio. É senador de reconhecimento nacional, uma pessoa que merece o aplauso de todos nós. E, na hora em que ele apresenta e aprova uma brilhante propositura , nós, no mínimo, temos de ser gratos, até para estimular o senador, para que ele continue trabalhando, de forma intransigente, no interesse do Amazonas”, declarou. Como se vê, parece até tietagem e não apenas de Rotta e Azêdo, mas também de outros deputados. O detalhe é que Eduardo Braga, do PMDB, é adversário de Arthur, na corrida pelo Senado.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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