
Além de superfaturar a compra de respiradores no auge da pandemia de Covid 19 no Amazonas, o governador Wilson Lima pagou duas vezes pelo transporte dos equipamentos. À empresa Sonoar, que já havia embutido o valor no preço final do produto, e a Rico, contratada pelo governo do Amazonas e utilizada para trazer os respiradores até Manaus . A sub-procuradora Lindôra Araújo insiste, em denúncia ao STJ, que Wilson Lima comandou uma organização criminosa e o acusa de peculato, entre outros crimes contra a administração pública.
A denúncia era esperada, mas chega em meio a instalação da CPI da Covid no Senado Federal.
Mirar os holofotes nos governadores e prefeitos é uma das estratégias do Palácio do Planalto. Para Bolsonaro, que traz a PGR debaixo do braço, não importa quais cabeças de governadores poderão rolar. O que ele deseja mesmo é salvar o amigo general Pazuello, que deu demonstração de poder em Manaus.
Foi ao Manauara Shopping, onde transitou sem máscara. Não foi importunado, exceto por uma senhora que o fotografou. O shopping emitiu uma nota chula para explicar o inexplicável: Pazuello teria sido orientado pela segurança a se dirigir a uma loja e comprar uma máscara, mas alegando que as imagens do circuito interno de segurança são protegidas, não divulgou a imagem do ministro usando o utensílio. Na verdade, não usou e foi proposital sua ida a shopping de Manaus sem máscara.
Queria deixar a marca do governo que representa: arcaico, negacionista, retrógrado, aliado da morte que se espalhou como a grande praga dessa década no Amazonas e no Brasil.
Há razões para colocar os governadores em dificuldades e constranger senadores. E o Superior Tribunal de Justiça tem neste momento uma fragilidade: o desejo de poder de alguns ministros, de subir de degrau, de agradar o presidente de plantão.
A justiça, como nossos avós conheciam, mudou. Ficou refém da falta de virtude, da penosa ausência de conhecimento jurídico de seus membros, da falta de compromisso com o país e as leis.
Mas os senadores têm em mãos o poder de veto de qualquer nome que comprometa mais ainda a maior Corte de Justiça do Pais, o STF.
Para ser ministro não basta ocupar cadeira cativa em outra instância do judiciário, nem ser terrivelmente evangélico ou católico. Precisa conhecer as leis, ter virtudes, que muitos não têm, cegos pela vaidade nem se percebem como são quando se olham no espelho.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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