Bastidores da Política - 2020, quando a meia noite passar nada vai mudar


2020, quando a meia noite passar nada vai mudar

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31/12/2020 17h17 — em Bastidores da Política

  • Pela primeira vez estou com medo da meia noite. O que nos espera no raiar do novo dia? Muda o calendário, mas não muda a tragédia

2020 foi ano da desesperança, da luta contra a ciência, o ano da descoberta de que fizemos  escolhas equivocadas e pelas quais pagamos um alto preço. Pela primeira vez não teremos o que comemorar e o futuro nunca foi tão incerto. Na luta contra um vírus mortal apanhamos de goleada - são cerca de 200 mil mortes - provocadas principalmente por um capitão sem estratégia de luta, que pode bater em retirada quando esse número  dobrar e nunca mais ouviremos falar nele.

Nesse dia selaremos a paz com a ciência, nossas famílias voltarão a ter alegria e esperança, mas ficarão as perdas e as lagrimas choradas pelos que partiram - pais, mães, amigos irmãos, filhos.

Pela primeira vez estou com medo da meia noite. O que nos espera  no raiar do novo dia? Muda o calendário, mas não muda a tragédia, não tira  os conteiners das portas dos hospitais para refrigerar corpos  vítimas da pandemia.

Estaremos em um deles um dia ? É possível. Se Bolsonaro não  deixar de lutar contra a ciência, se as pessoas de um modo geral não forem mais conscientes de que a vida nunca esteve por um fio, que estamos mais frágeis agora, que o futuro para ser construído não depende apenas de nossos sonhos, depende do que fazemos hoje. E o que vamos fazer hoje ? Vamos lutar contra tudo o que está aí, que é nossa responsabilidade. Vamos lutar contra os nossos erros, as nossas escolhas equivocadas. Neste momento a ciência tem que prevalecer ou todos morreremos.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.