Bastidores da Política - 140 amazonenses teriam sido colocados em um suposto corredor da morte


140 amazonenses teriam sido colocados em um suposto corredor da morte

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

01/10/2021 19h51 — em Bastidores da Política

Êxito de pesquisa  com remédio contra a Covid 19  é contestado, mas os danos que causou deverão resultar em indenizações que poderão se requeridas por parentes dos 140  "voluntários" que morreram ao tomar apenas placebo, como se tivessem sido colocados deliberadamente no corredor da morte.

O estudo com o medicamento proxalutamida no Amazonas, que resultou em 140 mortes somente no  grupo que tomou placebo - remédio de mentirinha, composto de farinha - é  alvo de pelo menos três procedimentos de investigação envolvendo o Ministério Público Federal, o Ministério Público Estadual e a Defensoria Pública, que entra no caso em razão da suposta relação de  consumo entre as famílias que permitiram o tratamento de seus  entes queridos (portadores de Covid) e os pesquisadores.

O fato de  quase 50% do grupo que tomou apenas placebo terem  morrido é visto como consequência  direta do estudo,  que na opinião de especialistas deveria ter sido suspenso imediatamente.

Essa é  uma das razões pelas quais  os pesquisadores são alvos de uma investigação do Comitê  de Ética em Pesquisa, que está analisando  os  protocolos do estudo realizado no Estado do Amazonas.

O que mais intriga especialistas é o fato  ainda pouco explicado de como a pesquisa avançou tão rápido, com  a adesão  de 600 pacientes graves e o tempo exíguo com que foi concluída. 

Seu êxito é contestado, mas os danos que causou deverão resultar em indenizações que poderão se requeridas por parentes de pessoas que morreram ao tomar apenas placebo, como se tivessem sido colocadas deliberadamente  no corredor da morte.

Há suspeita de que uma das normas para a adesão à pesquisa - “consentimento livre e esclarecido, métodos objetivos e  potenciais riscos, formulada em um termo de consentimento”, não tenha sido didaticamente explicada a cada familiar ou ao paciente.

As Resoluções 196 e 251, do Ministério da Saúde estabelecem que, nestes casos, cabe as instituições que promovem a pesquisa o dever de indenizar,  prover cobertura material, em reparação a dano, imediato ou tardio, causada pela pesquisa ao ser humano a ela submetida”.

É a regra, que pode ter sido desrespeitada e que agora começa a virar uma pesadelo para os pesquisadores.

Outra questão que começa a ser investigada é  o fato de o medicamento pesquisado, com relatórios  inconclusos e resultados suspeitos, terminar exportado  para o Paraguai e outros países sem o consentimento das autoridades de saúde do Brasil. 

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.