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Policial

Traficante baleado invade prédio no Leme e foge da polícia usando roupa de faxineiro

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RIO - Ao entardecer de um dia que começou tenso no Leme, na Zona Sul do Rio, com tiroteios durante uma tentativa de invasão ao Morro da Babilônia por uma facção rival de traficantes, moradores da Rua Roberto Dias Lopes se viram no meio de um fogo cruzado e de cenas de uma fuga espetacular, na terça-feira. Os corpos de dois suspeitos mortos por policiais militares na região de mata bem atrás da via foram retirados e levados para o Hospital Municipal Miguel Couto pela garagem do prédio de número 150, onde, nos fundos, há uma escadaria usada corriqueiramente por bandidos para fugir. Já o edifício Rio Leme, no número 74 da rua, foi usado por um terceiro bandido para escapar do cerco policial. Baleado na perna direita, ele se vestiu de faxineiro, saiu do prédio amparado por um funcionário do condomínio, atravessou a rua, ludibriou policiais que participavam do cerco, entrou na Galeria Luiz Thomaz e, já na Avenida Princesa Isabel, pegou um táxi e fugiu.

A história foi contada por um funcionário do prédio, que acompanha a rotina de violência nas imediações há muitos anos. E foi confirmada por um oficial da Polícia Militar que ajudou a comandar as ações desta terça-feira, um dia depois da tentativa de invasão. O tiroteio entre policiais e criminosos ecoou forte nos apartamentos da rua, principalmente naqueles que ficam nos fundos dos prédios, de frente para a mata. O criminoso baleado conseguiu se esconder atrás de uma moita e, enquanto os policiais retiravam os corpos de seus comparsas, começou a rastejar lentamente pela mata:

— Enquanto ele tentava dialogar com o bandido, que estava bastante nervoso, um faxineiro do prédio chegou na garagem e também foi rendido. Foi obrigado a entregar sua roupa de trabalho e a se vestir como se fosse para casa. O bandido apoiou um braço sobre o pescoço do faxineiro e saiu andando com ele. Atravessou a rua caminhando com dificuldade, mas conseguiu chegar até a Galeria Luiz Thomaz. Aí foi só caminhar devagar até a Princesa Isabel, onde pegou um táxi e chegou a se despedir do faxineiro.

Assim como o edifício Rio Leme tentou se proteger de invasões de traficantes instalando uma cerca concertina, outros prédios do bairro, outrora um recanto de tranquilidade, também tentam aumentar a segurança. O prédio de número 150 tem um histórico de invasões. Há uma escadaria antiga nos fundos do prédio por onde os moradores acessavam o asfalto.

‘O bandido apoiou um braço sobre o pescoço do faxineiro e saiu andando com ele. Aí foi só caminhar devagar até a Princesa Isabel, onde pegou um táxi e chegou a se despedir do faxineiro’

Hoje, o condomínio ergueu um muro para evitar o vaivém. Mas não teve jeito. Um dos funcionários já perdeu a conta do número de vezes em que traficantes armados em fuga utilizaram os fundos do prédio para entrarem tranquilamente na garagem e acessarem a Rua Roberto Dias Lopes. Um edifício na Rua Gustavo Sampaio tentou se proteger de invasões de traficante instalando uma cerca de arame farpado na parte mais baixa do muro que separa os fundos do imóvel do Morro Chapéu Mangueira. Não deu certo.

Uma moradora de um prédio na Rua General Ribeiro da Costa, próximo ao principal acesso ao Morro da Babilônia - a Ladeira Ary Barroso – vai se mudar em breve por não suportar a violência. Mas não deixará o prédio. Vai se mudar de um apartamento nos fundos, que fica de frente para a comunidade, para um na parte da frente, cujas janelas são voltadas para a Rua General Ribeiro da Costa. O motivo de tanta ansiedade para a mudança ela mostrou na mão: uma bala de fuzil traçante fez um rombo na janela do apartamento onde mora com o marido e um irmão, em dezembro, quando a guerra entre facções de traficantes já se iniciava. O projétil tem a cor azul, marca do fósforo usado em balas traçantes.

Em abril, um prédio na Rua Gustavo Sampaio foi invadido por bandidos que entraram pelo buraco do aparelho de ar-condicionado e fizeram uma moradora e sua amiga de reféns. Era o dia do batizado de seu filho e a vítima estava no apartamento com uma amiga uruguaia, que viajou para participar da festa. Os bandidos liberaram a mulher depois que viram não haver a presença de policiais na Rua Gustavo Sampaio. Eles fugiram. E a família, depois do trauma, se mudou do bairro. Para impedir novas invasões, o condomínio fechou o buraco do aparelho de ar condicionado.

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