Podcast sobre o Copan leva ouvinte a desvendar dia a dia do edifício de Niemeyer

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

26/09/2021 9h32 — em Arte e Cultura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quando se fala do edifício Copan, é natural que se busquem superlativos. Fica difícil evitar o apelo diante das dimensões do prédio projetado por Oscar Niemeyer no centro de São Paulo.

Por isso é tão interessante que um novo podcast, que vai ao ar a partir da segunda-feira (27), consiga se aproximar do colosso da Ipiranga com um tom de intimidade.

"Copan, Edifício em Movimento", é claro, não poderia deixar de lado a grandeza do prédio serpenteante, por onde circulam 5.000 pessoas ao dia, que levou 18 anos para ficar pronto, com seus mais de 110 metros de altura.

Mas, em vez de tratar seu objeto pelo que tem de gigantesco até na comparação com a metrópole em que se insere, olha para ele como se fosse, em si, uma cidadezinha, do porte de Boraceia ou Analândia, no interior de São Paulo.

No Copan moram pessoas de idades e classes sociais diferentes, habitando de quitinetes a apartamentos de quatro dormitórios, e o comércio de sua galeria é também variado.

Cabem ali desde o salão de cabeleireiro que está há mais de 50 anos no mesmo lugar e uma rara videolocadora até o espaço de arte Pivô e a livraria Megafauna --que se uniram para fazer o podcast.

Nem precisa sair para resolver parte da vida. "É meio provinciano. Eu fico por aqui", diz a atriz e diretora Mika Lins, que mora no edifício e narra os cinco episódios da atração.

Mika é, mais do que habitante, uma espécie de embaixadora do Copan, desde que se mudou para lá, em 2001 --quando os amigos, para lhe fazerem uma visita, "só faltava virem vestidos de cáqui", como se fossem a um safári.

É uma apaixonada pelo prédio, mesmo se, na primeira noite que lá passou, se sentiu aterrorizada pela vista devoradora da cidade, como recorda no primeiro episódio.

Em quase dez anos do Pivô, que se completam em 2022, muitos projetos artísticos nasceram da relação com o espaço ao redor, conta Paula Signorelli, idealizadora do podcast.

Ela diz que a ideia nasceu de uma pesquisa histórica, mas que a vontade era dialogar com o prédio e seus personagens. "A ideia era reunir e tensionar diferentes vozes. A gente não tentou contar nenhuma versão oficial."

Ao contrário, houve a intenção de desconstruir crenças, como, por exemplo, a ideia de diversidade que esta mesma reportagem aponta.

O Copan também se gentrifica, mesmo se ainda há moradores de toda uma vida em seus corredores. No bloco B, o das quitinetes, o público se modificou ao longo dos 20 anos em que Mika habita o edifício. "Você tinha pobre, trabalhador, agora é mais estudante de arquitetura."

O caminho escolhido para recolher as diferentes visões foi, bem, literalmente um caminho, de alto a baixo, pelo prédio. Cada um dos cinco episódios se dedica a um nível do edifício, da garagem ao terraço, passando pelo térreo, galeria e apartamentos.

Pílulas informativas se encarregam de eliminar da rota do público leigo os pedregulhos dos termos arquitetônicos, inevitáveis numa produção dessas --brise, laje, concreto armado são esclarecidos em breves e claros verbetes.

O passeio do ouvinte começa no nível da rua. Mika conversa com KL Jay, morador do prédio e integrante do grupo de rap Racionais, que gravou no térreo sua primeira demo - o DJ a procurou, sem sucesso, para a equipe do podcast.

O segundo episódio se chama "Fundação", no duplo sentido dos alicerces do edifício, e de sua concepção.

Nele, Luiz Frias conversa com a narradora e conta a odisseia da construção do prédio, empreitada do Banco Nacional Imobiliário, que tinha entre os sócios seu pai, Octavio Frias de Oliveira, antes que se tornasse publisher da Folha de S.Paulo - cargo atual de Luiz.

Walter Fedorenko, filho do mestre de obras do Copan, traz outro ponto de vista da longa construção --que foi de 1952 a 1970, tendo sido logo deixada por Niemeyer, às voltas com Brasília, para ser tocada por Carlos Lemos.

De seu posto na garagem, de onde comanda a manutenção do prédio que viu nascer, ele recorda as feijoadas a cada etapa concluída, seus passeios de bicicleta no canteiro de obras e as pipas empinadas no mirante, onde a família morava antes de adquirir o apartamento onde ele até hoje vive.

COPAN, EDIFÍCIO EM MOVIMENTO

Quando: A partir de 27/9, 5 episódios semanais de 25 min

Onde: Disponível nos principais players

Produção: Trovão Mídia


O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

+ Arte e Cultura