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Na Virada Amazônica, arte e transformação chegaram ao coração do rio Negro

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A primeira edição da Virada Amazônica, realizada entre 4 e 13 de julho, uniu palcos tradicionais em Manaus a comunidades ribeirinhas isoladas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro, como Tumbira e Santa Helena do Inglês.

O projeto, fruto de mais de dez anos de parcerias entre artistas, educadores e lideranças locais, representou um marco na democratização do acesso à cultura em regiões onde a logística impõe desafios significativos.

A abertura do evento ocorreu no célebre Teatro Amazonas, em Manaus, com o espetáculo "Manaós: Uma Saga de Luz e Sombra", da Trupe Ave Lola, de Curitiba. A peça, que mergulha no universo do ciclo da borracha em 1911, retrata a vida de três mulheres de origens distintas em uma Manaus de conflitos e sonhos.

Nas comunidades ribeirinhas, o impacto da Virada Amazônica foi ainda mais notável. Muitos moradores viram, pela primeira vez, uma peça teatral com produção de qualidade, como "As Cores da América Latina", do grupo Panorando Cia., e "Capivaras Rebeldes", um espetáculo infantil repleto de música e humor.

"A arte transforma nossas crianças e jovens, dando a eles novas perspectivas", diz Nelson Brito, presidente da Comunidade Santa Helena do Inglês. "Este projeto não só nos permite assistir, mas também aprender, contribuindo para a formação de cidadãos mais conscientes."

Além das apresentações, o evento promoveu oficinas gratuitas de interpretação teatral, música e escrita criativa, ministradas por artistas como Helena Tezza, Ane Adade e Ana Rosa Genari Tezza. Essas atividades não apenas ensinaram técnicas artísticas, mas também estimularam a expressão pessoal e o trabalho em equipe.

Laura Tezza, diretora-executiva do projeto, explicou a importância de registrar essas experiências. "A ideia dos documentários, dos podcasts, é que a gente possa registrar, por meio da oralidade das imagens, o que esses líderes e esses personagens importantes que estão nas comunidades ribeirinhas têm a dizer e poder fazer com que essas vozes sejam amplificadas para além das próprias comunidades."

Ela acrescentou que o objetivo é "fazer o caminho inverso, amplificar essas vozes no restante do Brasil, para que o brasileiro possa estar a par do que acontece nas comunidades ribeirinhas".

Ana Rosa Tezza, uma das criadoras do projeto, contou histórias sobre o impacto duradouro do projeto. "A primeira vez que a menina que fez a nossa cobertura, a pessoa que escreveu no blog que acompanhou todo o trabalho, viu o teatro foi há dez anos, quando a gente levou a peça 'O Malefício da Mariposa', e ela tinha oito anos", diz.

"Então é muito bonito você ver que agora ela virou jornalista e que é fruto da comunidade que cobre um evento que possibilitou a ela ver teatro pela primeira vez na vida." Ela também destacou a emoção da estreia de "Romeu e Julieta" para um público heterogêneo das comunidades, onde "o espaço para a fruição artística é muito maior do que o que a gente encontra na sociedade agitada das grandes urbes".

Com um público de mais de 6.000 pessoas e 150 profissionais envolvidos, a primeira edição da Virada Amazônica deixou, segundo os organizadores, um legado que transcende os dias do evento. "Queremos que a arte seja um direito de todos, não um privilégio de quem vive nos centros urbanos. Esta é só a primeira de muitas viradas", diz Laura Tezza, a diretora-executiva.

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