Início Arte e Cultura Discussão de fé e atuação soberba alavancam polonês indicado ao Oscar
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Discussão de fé e atuação soberba alavancam polonês indicado ao Oscar

FOLHAPRESS - Sendo um filme polonês, não é estranho que "Corpus Christi" esteja impregnado pelo catolicismo. Nem é estranho que bem e mal, possessão e santidade, culpa e inocência convivam na mesma pessoa. Em Daniel (Bartosz Bielenia), no caso: ele é um jovem que, tendo cometido um crime e pretendendo se tornar padre, descobre, ao receber a condicional, que nenhum seminário o aceitará. A solução é trabalhar na serraria de uma pequena cidade junto com outros ex-presidiários. Com isso, seu sonho de se tornar padre chega ao fim. Ou não. Chegando ao lugar, Daniel desvia-se da serraria e vai à igreja local, onde se apresenta como padre. O velho cura local engole a história. Pior, pouco depois cai doente e cabe a Daniel a tarefa de substituí-lo. Ora, o que se vê então pode ser raro, mas não surpreendente. A experiência de Daniel na marginalidade o credencia a ser justo e tolerante, ao mesmo tempo em que alguns fatos passados no lugar escondem tensões insuperáveis, que ele tentará enfrentar, no sentido de pacificar o lugar. Certamente, o diretor Jan Komasa não pretendia limitar seu filme a um caso único ou especial. Sim, a fé está presente com toda a angústia que se pode imaginar: em Daniel existe o homem puro (o padre), mas também o pecado original (o crime) inscrito em sua pele -pele que exibirá aos fiéis em dado momento, como uma espécie de prova da dualidade que existe em cada homem. Ou, um pouco além: da dualidade que existe no próprio Deus, de onde emanam tanto o bem como o mal, o sagrado e o demoníaco. O corpo de Daniel é, na visão de Komasa, um pouco o corpo de Cristo pregado na cruz, com toda a dor e seus dois lados: o santo e o demônio que existem nele. Pelo menos desde "Madre Joana dos Anjos" (1961), de Jerzy Kawalerowicz, conhecemos bem o tamanho da angústia do catolicismo, tal como praticado (vivido seria uma palavra melhor) na Polônia. O de Daniel não parece dever muito à alma intransigente do pontífice João Paulo 2º. Parece mais próximo de Francisco, o santo. E no entanto está a léguas de distância do franciscanismo tal como visto por, digamos, Roberto Rossellini em "Francisco, Arauto de Deus" (1950). Filme digno, embora não original (trilha o terreno que Hitchcock visitou tantas vezes), não raro áspero (mas com andamento ágil o bastante para concorrer ao Oscar, onde perdeu o título de melhor filme internacional para "Parasita"), "Corpus Christi" acrescenta à dolorida dualidade de Daniel aquela de Eliza, a moça que o ama, cujo destino parece ainda mais nebuloso que o de seu mentor. Seja qual for, é do lado da tolerância que se coloca este filme que depende, em grande medida, da soberba atuação de Bartosz Bielena, espetacular como Daniel. CORPUS CHRISTI Avaliação: Muito bom Onde: Cinema Virtual Preço: R$ 24,90 (locação) Classificação: 16 anos Elenco: Aleksandra Konieczna, Barbara Kurzaj, Bartosz Bielenia e Eliza Rycembel Produção: Boze Cialo, Polônia, 2019 Direção: Jan Komasa Link: cinemavirtual.com.br Duração: 115 min

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