Em 2002, falar em IPA ou blend de carnes provavelmente soaria como grego. Quem diria que, 15 anos depois, essas expressões já estariam na boca de cariocas da Zona Sul à Zona Norte, com a explosão das cervejas especias e dos hambúrgueres artesanais? Desde a sua criação, há 26 anos, o Rio Show — que na próxima sexta-feira lança seu novo site — acompanha as muitas mudanças no cenário gastronômico carioca.
Foi em 2002, mais precisamente a partir de 12 de julho, que o caderno passou a publicar avaliações da crítica gastronômica Luciana Fróes.
— O GLOBO foi o primeiro veículo no Rio a ter uma cotação — lembra ela. — De lá para cá, foram mais de 640 críticas, com casas que receberam de um a cinco garfinhos.
A seção foi um marco na história da revista. O Rio Show, que tinha uma página de gastronomia, passou a ter várias. Hoje, são quatro colunistas fixos escrevendo sobre o tema: Juarez Becoza, da coluna “Pé-Sujo”; Marcella Sobral, da “Pé-Limpo”, e Pedro Mello e Souza, da “Letras Garrafais”, além de Luciana Fróes. Já em 14 de novembro de 2003 saía a primeira “Pé-Sujo”, dedicada à instituição carioca dos botequins, que é publicada a cada 15 dias, alternando o espaço com a “Pé-Limpo”, que fala de bares mais arrumadinhos.
— Fui sentindo rapidamente que a coisa pegou. Vejo a coluna como uma ferramenta que auxiliou no processo de valorização dos botequins — analisa Juarez Becoza. — Eles ganharam novo status. Um sinal dessa mudança é que antigamente em boteco quase não havia banheiro feminino. Hoje em dia é difícil achar um que não tenha.
Em 2003, surgiu o Prêmio Rio Show de Gastronomia, que elegia os melhores da cidade. Depois de anos contemplando estabelecimentos de acordo com categorias, na 15ª edição, em 2017, o método mudou: 200 casas foram avaliadas por 14 jurados, que visitaram os estabelecimentos anonimamente e atribuíram de um a cinco garfinhos para cada — apenas oito receberam a nota máxima.
— Acho muito mais justo, mais democrático — comenta Rafa Costa e Silva, chef do Lasai, contemplado em todas as edições do prêmio desde que seu restaurante abriu: na categoria Melhor Novidade em 2014, Melhor Restaurante e Melhor Chef em 2015, Melhor Restaurante Contemporâneo e Melhor Chef em 2016 e cinco garfinhos em 2017. — Comercialmente, é superimportante. As pessoas procuram mais, perguntam mais, nos congratulam, isso quer dizer que souberam do prêmio e, no mínimo, lembraram da gente.
DO MOLECULAR AO FOOD-TRUCK
Para complementar a premiação, o GLOBO criou o Circuito Rio Show de Gastronomia, com aulas de chefs renomados e quiosques de restaurantes premiados. Com uma boa dose de fermento, o Circuito deu origem, em 2011, ao Rio Gastronomia, maior evento do gênero no país, que, desde 2016, acontece em dois armazéns do Píer Mauá.
Sempre de olho nas tendências, o Rio Show também viu nascer e registrou em suas matérias os muitos modismos culinários que caíram no gosto do cariocas. A chegada da sofisticada comida molecular (com suas espumas e que tais), a ascensão dos mixologistas (bartender é coisa do passado) e seus drinques incríveis, o surgimento do raio gourmetizador, a saudável onda vegetariana, a gulosa mania dos bolinhos de tudo (começando pelo de feijoada), as lojas de cupkakes, kones e sorvete de iogurte (hoje restam poucas para contar história) e a febre dos food-trucks são alguns exemplos.
— Roberta Sudbrack foi a primeira dos chefs top a apostar na comida de rua, com um food-truck. Pensei: “Se ela faz, por que eu não posso fazer?” É um jeito mais acessível de mostrar o meu trabalho — comenta o belga Fred de Maeyer, chef do sofisticado Eça e figura frequente em feiras com seus sanduíches.
A partir de sexta-feira, as novidades e tendências da área ganharão lugar especial no novo site do Rio Show, com roteiros e dicas saborosas. Também estarão lá os serviços de mais de dois mil estabelecimentos, entre bares e restaurantes, que poderão ser acessados por um sistema de busca avançada.

