RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Muito antes de se tornar um dos nomes mais respeitados do samba, Arlindo Cruz (1958-2025) sonhava com um caminho bem diferente. Nascido em 1958, no bairro do Engenho Novo, no Rio de Janeiro, ele cresceu cercado pela música, embalado pelas rodas de samba e pelo espírito do carnaval carioca. Aos sete anos, ganhou o primeiro cavaquinho e descobriu que queria ser músico. Mas havia outro sonho no horizonte: a carreira militar.
Incentivado pelos pais, Arlindo se dedicou aos estudos para ingressar na Aeronáutica. Aos 15 anos, conquistou uma vaga na disputada EPCAR (Escola Preparatória de Cadetes do Ar), em Barbacena, Minas Gerais. Foram três anos de disciplina militar, longe de casa, até que o destino começou a mudar seu rumo.
De volta ao Rio, Arlindo mergulhou nas rodas de samba do Cacique de Ramos, onde conheceu ícones como Jorge Aragão, Beth Carvalho, Beto Sem Braço, Ubirany, Almir Guineto, Zeca Pagodinho e Sombrinha -este último se tornaria seu parceiro de vida artística. A paixão pela música falou mais alto, e ele decidiu deixar a carreira militar para trás.
No início, não era possível viver apenas do samba. Arlindo chegou a trabalhar como bancário, até que a oportunidade bateu à porta: com a saída de Jorge Aragão do grupo Fundo de Quintal, ele, que já era músico convidado, foi chamado para integrar a formação oficial. Foram 12 anos dedicados ao grupo, até 1993, quando partiu para a carreira solo e, pouco depois, iniciou uma parceria histórica com Sombrinha.
Arlindo morreu nesta sexta-feira (8), aos 66 anos, teve um acidente vascular cerebral (AVC) em 2017 e passou os anos seguintes enfrentando sequelas e complicações. Arlindo estava internado desde 25 de março no hospital Barra D'Or, na zona oeste do Rio, após receber um diagnóstico de pneumonia. Ele havia recebido alta em junho, mas piorou e seguiu no hospital.

