SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Se o naufrágio do Titanic já foi contado de todas as formas possíveis do drama épico ao documentário histórico faltava uma versão que o fizesse afundar de tanto rir. Pois é exatamente isso que "Titanique O Musical" entrega: uma comédia embalada pelos sucessos de Céline Dion, que assume o papel de narradora do naufrágio e transforma o romance trágico em um verdadeiro show de absurdos.
Dirigido por Gustavo Barchilon, o espetáculo é uma adaptação brasileira do hit off-Broadway e tem Alessandra Maestrini, Luís Lobianco, Marcos Veras e Giulia Nadruz à frente do elenco. Em cena, o trio dá vida a uma sequência de personagens improváveis, misturando sátira, improviso e muita música pop.
Lobianco faz questão de exaltar a atuação de Alessandra. "É heróico o trabalho dela", brinca Lobianco, que interpreta Ruth, mãe da protagonista Rose. "A Alessandra segura a peça inteira, conta, canta e conduz com as notas altíssimas da Céline Dion. A Celine não é blasé, né? Ela mete o corpo, a voz e a emoção junto. E ela achou esse vigor, essa entrega, esse exagero delicioso."
A atriz, que interpreta a cantora canadense, revela que o processo de criação foi intenso, e cheio de imprevistos. "Quando o Gustavo me convidou, pensei: ainda bem que foi com antecedência, porque vou precisar estudar muito. Mas, no meio disso, acabei precisando fazer uma cirurgia de coluna. Fiz boa parte dos ensaios deitada, planejando as cenas mentalmente", conta.
"Foi um processo de superação. E com o acolhimento da equipe e do elenco, conseguimos transformar tudo isso em humor. Acho que o público sente essa entrega em cada cena."
Sobre a adaptação, Maestrini explica que o maior desafio foi "abrasileirar" Céline Dion: "Lá fora, eles têm um repertório de piadas sobre ela, conhecem o sotaque, os trejeitos. Aqui, ela nunca veio, nunca falou português. Então pensei: Como seria a Céline se ela viesse ao Brasil e tentasse se comunicar com a gente?. A partir daí, nasceu essa versão divertida, com confusões linguísticas e situações inusitadas."
Marcos Veras, que vive o galante Jack, admite que cantar em inglês foi um obstáculo à parte. "Cantar e raciocinar em outra língua é desafiador, ainda mais para quem não é fluente. Mas aceitei o desafio e dei conta. As músicas são muito conhecidas, então o público embarca fácil."
Lobianco, por sua vez, equilibra humor físico e figurinos extravagantes: "O meu desafio é conciliar o vestido quente, a maquiagem, o cabelo e o ritmo das cenas. É um show grande, com muito movimento, e a gente dá tudo de si. No fim, o corpo sente mas o riso do público recompensa."
A peça também brinca com temas atuais, o que reforça o frescor das apresentações. "O teatro tem essa vantagem sobre a TV: ele é vivo, reage ao momento", comenta Lobianco. "A gente faz piada sobre o que aconteceu na semana, sobre o noticiário, sobre o fim de uma novela. É um humor que se renova o tempo todo."
O sucesso tem sido tamanho que já há planos para levar o espetáculo ao Rio de Janeiro e outros estados, e até para fora do país. "O boca a boca está enorme, e a receptividade em São Paulo foi incrível. Já tem países interessados em comprar o formato brasileiro", celebra Maestrini.
Entre risadas e imprevistos, o elenco de "Titanique O Musical" afirma querer mostrar que rir do fim pode ser o começo de algo ainda mais grandioso. "Quero aproveitar cada apresentação, cada público. E quem sabe, um dia, a gente não faz essa peça em alto-mar?", sugere Lobianco. E por que não?
*
'TITANIQUE - O MUSICAL'
Quando Sábados às 17h e 20h e Domingos às 15h e 18h
Onde Teatro Sabesp Frei Caneca - Shopping Frei Caneca
Classificação 12 anos
Elenco Alessandra Maestrini (Celine Dion), Marcos Veras (Jack), Giulia Nadruz (Rose), Luis Lobianco (Ruth - mãe da Rose)
Direção Gustavo Barchilon



