Desde que assumiu a Secretaria de Estado de Cultura (SEC), em fevereiro, o secretário André Lazaroni tem exonerado e substituído o comando dos principais equipamentos culturais do estado. Em cinco meses de gestão, ele mudou presidentes e diretores do Teatro Municipal, Sala Cecília Meireles, Parque Lage, Casa França-Brasil, e, mais recentemente, da Rádio Roquette Pinto, mudança que foi estopim para uma crise na relação entre o setor cultural e o titular da pasta.
Na semana passada, como noticiou a coluna de Ancelmo Gois, no GLOBO, a produtora cultural Eliana Caruso foi exonerada da presidência da rádio e substituída pelo radialista Fernando Ribeiro, o Cabeção, que havia entrado para a equipe no dia 1° de abril como vice-presidente.
A ausência de justificativas técnicas para a exoneração de gestores — como no caso de João Guilherme Ripper, retirado do comando do Municipal em fevereiro — somada à falta de experiência na área cultural dos novos indicados — como o diretor do Teatro Armando Gonzaga, Rafael Carvalho Braz, um empresário do ramo alimentício sem experiência de gestão cultural — despertou críticas.
As mudanças têm sido justificadas pelo secretário por razões mais políticas do que técnicas, e também por “afinidade com o gestor”. Em resposta às recentes mudanças, a Associação Procure Saber, grupo que reúne artistas como Caetano Veloso e Djavan, lançou na última quinta-feira a campanha “Cultura não é moeda de troca” e publicou, em suas redes sociais, um manifesto em que contesta os argumentos para a troca na emissora.
“A classe artística está preocupada com o uso político da cultura que o secretário vem fazendo”, diz a mensagem, que finaliza: “Exigimos do secretário que a Roquette Pinto continue a ser pública e queremos ser ouvidos na escolha do novo presidente e também na afirmação dos rumos da rádio, que não devem ser mudados para que ela continue a serviço da cultura e não a serviço de objetivos políticos”.
Ao GLOBO Lazaroni apontou a “baixíssima audiência da rádio” para justificar a exoneração de Eliana Caruso.
— A rádio está em último lugar no ranking de audiência, e é uma emissora pública. Se não chega à população, como provado pelos índices, não está cumprindo sua missão — diz. — Quando falo de audiência não comparo rádio pública e comercial. Nunca falei em transformá-la numa rádio comercial. Falo de chegar ao ouvinte, de cumprir a finalidade, que é transmitir programas e ter alguém do outro lado. Ao assumir, conversei com ela e disse isso, mas, após um semestre nada mudou. Não mexer é que seria um equívoco.
Em entrevista ao GLOBO, Eliana disse que “ninguém sabe a real posição da Roquette Pinto, pois o governo nunca fez pesquisa de audiência”, e que não se deve comparar audiência de rádio pública e comercial, já que têm propósitos diferentes. Ela se disse perplexa pela justificativa dada pela SEC para sua demissão.
— O subsecretário ) disse que pessoas do meio político queriam mudanças e que eu não precisava vir no dia seguinte — afirmou.
Eliana disse ainda que, desde o dia 1º abril, quando Cabeção chegou à rádio, o radialista “pouco apareceu” na emissora, e que ele não teria ido ao trabalho nos últimos 20 dias. Procurado pelo GLOBO, Cabeção contestou, e afirmou que a ex-presidente não o viu “pois ela não andava muito por lá”.
— Acha que eu ficaria 20 dias sem trabalhar e ninguém me cortaria ou diria ao secretário? Se isso existisse ela teria de tomar uma atitude. Essa informação não procede — respondeu o radialista.




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