De que forma o desmatamento quase levou Cantareira a crise hídrica

Por Portal do Holanda

05/01/2021 14h32 — em Amazônia

Foto: Pixabay

O Sistema Cantareira, principal rede de abastecimento da Grande São Paulo, está com um índice de armazenamento da água em 35,6 %, e foi considerado o menor volume registrado no período desde dezembro 2013, mês que antecedeu a crise hídrica. Índices abaixo dos 40% acionam estado de alerta segundo a ANA (Agência Nacional das Águas).


O sistema está assim desde outubro de 2020. O motivo? Tem chovido mais que o normal nessa parte da região. De acordo com geólogos, não há periga imediato de desabastecimento, mas é preciso economizar e focar no problema estrutural: o principal culpado da baixo umidade é o crescente desmatamento na Amazônia.


Segundo dados da Sabesp  (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), só em três dos 12 meses de 2020 choveu mais do que a média histórica e, em dezembro, a quantidade está próxima. A maioria deles teve situação crítica. Em abril, início da estiagem, choveu apenas 2,2 mm dos 86,6 mm esperados para a período. 


"Não tem chovido o suficiente, e de onde vem a chuva que abastece a região? Da Amazônia. Não só o Cantareira está com esse déficit, como outros reservatórios importantes no país. Não é uma questão esporádica", afirma o geólogo Pedro Côrtes, professor da USP.


Sem a floresta, a chuva na região poderia cessar por completo. Isso se dá porque a floresta funciona como uma bomba d'água que "puxa" a umidade dos oceanos. Cada árvore amazônica de grande porte pode evaporar mais de mil litros de água por dia —o que leva, ao todo, a cerca de 20 bilhões de toneladas de água por dia (20 trilhões de litros).


Pesquisadores britânicos fizeram uma simulação e trocavam a mata nativa da Amazônia por pastagem, em um estudo publicado em 1989, para a revista “Nature”. "A resposta simulada do clima local foi dominada por um ciclo hidrológico enfraquecido, com menos precipitações e evaporações e um aumento na temperatura da superfície", diz o texto. 


Isso impacto em especial o interior do Brasil, regiões de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, entre outras. que não recebem as frentes frias vindas do oceano atlântico por conta das serras. Situação é preocupante, mas risco não é imediato.
 


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