Wilson Lima (PSC) deu uma declaração no mínimo suspeita sobre a gestão da Saúde, mas gerou questionamentos dos jornalistas que acompanhavam a abertura do Ano Letivo, na sexta-feira, no Centro de Convenções Vasco Vasques, zona centro-sul de Manaus.
Durante a entrevista, Wilson - que no primeiro mês de seu mandato priorizou a gestão de presos com a liberação de R$ 23 milhões - afirmou que vai contratar hospitais privados, caso os funcionários terceirizados que atuam nas unidades de saúde do Estado entrem em greve.
A ameaça de paralisação vem se dando porque o governo de Wilson alega não ter dinheiro para cumprir o acordo que fez com o Ministério Público do Trabalho. O Estado se comprometeu em fazer o pagamento gradual dos repasses para as cooperativas e empresas, responsáveis pelos funcionários que atuam nos hospitais administrados pela Secretaria de Saúde, em janeiro.
Na reunião, Wilson afirmou que R$ 58 milhões foram liberados (mas a reportagem constatou que esse valor ainda está empenhado). E R$ 13 milhões, segundo o governador, estão em análise. Até o fim deste mês, ele prometeu destinar R$ 100 milhões para os terceirizados da Susam.
Dinheiro para o privado
Depois de ser questionado sobre a iminente paralisação do sistema de Saúde por conta dos salários atrasados, o governador tentou mostrar senso de “planejamento”.
“Os serviços médicos vão continuar acontecendo. Nós temos retaguarda em caso de paralisação”, disse. Perguntado sobre o que seria a retaguarda, ele Wilson disse: “Hospitais particulares, outros fornecedores”, disse Lima.
Com a declaração sobre a possibilidade de contratação de hospitais privados, vem à tona o questionamento sobre a real condição financeira do Estado.
Se não há dinheiro para pagar mais de seis meses de salários atrasados de funcionários, haverá recursos para custear atendimento particular em clínicas médicas e hospitais, onde uma diária não sai por menos de R$ 400, em Manaus?
No encontro, o governador ainda reclamou da “ineficiência” de gestão dos seus antecessores. E para resolver o problema da falta de dinheiro, o governador prometeu contingenciar, ou seja, reduzir investimentos. “Vamos continuar contingenciando (retendo) 20% de cada secretaria”, prometeu.
Como justificativa para a retenção, o governador disse que no período de 2010 a 2017, o gasto com a folha de pessoal do Estado aumentou 91%; o custeio de máquina cresceu 70%, mas a arrecadação só teve reajuste de 60%.

