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Wilker fala de transporte, de cotas para as mulheres e de reforma política

Em seu segundo mandato na Câmara Municipal de Manaus, o economista com especialização em políticas públicas e engenharia de negócio, além de presidente do Legislativo, o vereador Maurício Wilker de Azevedo Barreto,  que também é o prefeito eventual de Manaus, na ausência do titular, Artur Neto, esteve em visita ao Portal do Holanda no sábado, concedendo a seguinte entrevista.

Portal do Holanda – O senhor é filiado no PHS em seus dois mandatos. Está satisfeito com o partido?

Wilker Barreto  - Tranquilo. Agora mais do que nunca. Fui prestigiado já em 2012 com o convite da [Executiva] Nacional para presidir a estadual do partido e agora, no mês passado, fui convidado a ser membro do Diretório Nacional da legenda e isso me deixa muito satisfeito, porque o mandato no Diretório Nacional é um mandato eletivo e meu mandato na Nacional do partido é até 2018. Isso dá mais tranquilidade para o Amazonas, para suas decisões políticas. Não é o caso do PHS, mas é comum ver o troca-troca de comando de legendas às vésperas de eleições no processo político. Essa minha ida ao Diretório Nacional dá mais tranquilidade a mim e às executivas municipais, dá tranquilidade às nossas tomadas de decisões.

Portal - O senhor pensa em sair para as eleições em 2016?

Barreto – É um processo natural. Não sair para a reeleição é estar me aposentando da vida pública. No curto prazo, vamos ter uma oportunidade de, pela primeira vez como gestor, fazer alguma coisa. À frente da CMM é uma oportunidade de dar singela demonstração do que se faz como gestor. A câmara não tem que ser um banco. Não adianta ter três milhões ou quatro milhões aplicados. Eu tenho que fazer esse recurso voltar da melhor forma possível, prestando serviço para a população. Então, de forma errônea, no passado se falava que ‘o Wilker quer aumentar salário’... então, no dia em que não se puder fazer um plano de cargos, carreiras e salários (PCCS), para servidores efetivos, que há 10 anos não existe na câmara, não é aumento de salário, é plano de carreira e, se Deus quiser, faço o PCCS no ano que vem.

Portal - Com sete mulheres na Câmara Municipal de Manaus, como o senhor vê a participação delas na política?

Barreto – Eu vejo o seguinte, por exemplo: cotas para mulheres, sou contra. Não é a questão da cota que obriga a participação da mulher, é o envolvimento. Nós temos 52% do eleitorado feminino e, preenchendo essa lacuna, se a opinião pública e a sociedade entender que tem de ter 100% do eleitorado feminino, é a urna que vai dizer. Hoje, cumprir as cotas partidárias, que tem de ser 30%, é um faz de conta. Os partidos não conseguem fechar a cota de 30% de candidatas.

Portal – E a questão mais específica da secretaria de políticas das mulheres da Prefeitura de Manaus?

Barreto – Na proposta atual da reforma administrativa da prefeitura existe a Secretaria da Mulher, Direito Social e Ação Social. Conversei com elas [vereadoras] e disse ‘as coisas só saem do papel através de políticas públicas’ e perguntei: onde está a proposta do movimento de mulheres sobre políticas públicas? Pois a discussão tem que ser por outra ótica. Quais são as propostas de políticas públicas, dentro de uma visão orçamentária exequível? Porque tivemos uma secretaria da mulher por dois anos que não saiu do papel. Vocês que são do movimento de mulheres, o que entendem como políticas públicas prioritárias no curto prazo? A discussão foi aberta e a câmara está tratando-a de forma muito aberta.

 

Portal – Em seu primeiro mandato, Amazonino Mendes era o prefeito e agora Artur Neto comanda a prefeitura. Como o senhor avalia o ordenamento da cidade sob os dois administradores?

Barreto – São dois estilos diferentes. No primeiro mandato, eu digo que a câmara estava mais aguerrida e foi uma grande escola, vivi esses últimos seis anos de forma muito intensa. No primeiro biênio assumi a comissão de finanças da câmara. No segundo biênio do primeiro mandato, virei vice-líder do governo, no início do segundo mandato, passei a líder do prefeito Artur Neto e, agora, tenho a oportunidade de ser presidente da câmara. Então, são estilos diferente. O Artur [Neto] é mais presente, vai pra rua. Enquanto o Amazonino, que já vinha de três governos do Estado, eu percebi gestão dele que, quando você é governador, você pensa e você executa. Quando você é prefeito, você pensa e, às vezes, não consegue ter recursos para executar. Eu lembro que quando o Amazonino tinha o projeto Prefeitura no Bairros, e o prefeito Amazonino ia para os bairros, com um mês os secretários pediram, pelo amor de Deus, que o prefeito parasse porque não havia dinheiro. Onde o prefeito vai, gera expectativa. Quando vai à comunidade, o prefeito vê a questão da infraestrutura, da iluminação, ele vê tudo.

Portal – O que a CMM está discutindo sobre o transporte coletivo?

Barreto – Debatemos a questão e uma planilha sobre a qual eu me debrucei muito foi a do transporte coletivo e a questão dos custos é muito clara: 55% dos custos da planilha são salários e nós somos o terceiro maior salário do Brasil. Às vezes a oposição questiona: “Ah, mas porque Belém...” Belém paga para motoristas o que cobrador ganha aqui. Nós aprovamos, agora, R$ 14 milhões em subsídio, por ano, para o transporte coletivo de Manaus, que tem dois milhões de habitantes. Enquanto São Paulo, com 20 milhões de habitantes, paga R$ 1 bilhão por ano. Vamos fazer um comparativo. Se para cada dois milhões de habitantes se paga R$ 14 milhões em subsídios, São Paulo deveria pagar R$ 144 milhões a R$ 200 milhões. Então, o que deve fazer para melhorar o transporte coletivo é aumentar o IPK – índice de passageiros por quilômetro.

Portal – Como o senhor se sente ao assumir a Prefeitura de Manaus como interino?

Barreto – Pra mim é uma honra chegar aos 38 anos e, em exercício, administrar a cidade onde nasci. Isso me deixa muito orgulhoso. A ideia é não deixar de dar continuidade à gestão do próprio prefeito.

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